terça-feira, 28 de abril de 2026




                

      Um emir, sentado à mesa da varanda de uma suntuosa estalagem de onde se descortinavam as tamareiras da avenida principal da medina, tomava seu fitor, enquanto lia poemas de Omar khaian num alquitabe lindamente decorado. Um faquir magérrimo, perambulava pela avenida, quando viu o nobre emir naquele alpendre, fazendo seu repasto matutino. Impulsionado pela fome e o mal dormir, venceu o medo e se dirigiu ao emir a pedir-lhe de comer. O emir olhou-o de cima a baixo e com um sorriso nos lábios, pegou de uma porção de cordeiro dizendo: “Toma grande homem, talvez vás a comer um braço de um rei. bola para em frente ao café. A justiça militar é corporativa, não condena ninguém e tem de ser extinta para integrar a justiça comun. Já imaginou  um anjo te roubar a trombeta que compraste com grande sacrifício? Pois, se você não se ocupa da política, a política se ocupa de você. E é justamente por isto que que Daniela Mercury fez o jogo da direita quando acusou, em público, a Édson Gomes de ter maltratado sua mulher. Não que o maltrato a mulheres seja uma coisa menor, micro, mas seu discurso, no local onde foi feito, do ponto de vista macro serviu à causa da direita. Se ela estivesse realmente preocupada com a segurança da mulher ela estaria fazendo campanha para a esquerda e não acusando um companheiro, pois se direita ganhar, aí, sim, ela vai ver de montão ofensas às mulheres e a todas minorias. E as Três mostravam sua graça na transparência do traje, Maria, ao lado, observando-as. Inveja? Por quê a mulher não sabe fazer outra coisa ajeitar o cabelo? Não, não sei ficar só no meu quarto. E é isto que te faz infeliz. Errando é que se aprende. E jogaram concreto em nossas fontes e tu nada disseste. Para que serve o senhor balançando um palito diante da orquestra? Para melhorar sua mente, aprenda a duvidar primeiro, né, Descartes? Chorar o leite derramado nada mais é que atrair novas desgraças. “Quando te olho por um momento, já não sou capaz de dizer nada, a minha língua silenciosamente gela e imediatamente um fogo subtil corre sob minha pele”.



sexta-feira, 17 de abril de 2026

 




                  Perdoem, mas vi um dia, Pelúsio de bacia enorme, plena de lama,  na cabeça, que dizia produzir água pro seu povo, depositando-a nos canais do sagrado templo da cidade vencida pelos gatos. Que mais vistes tu,  professor?  basta sê-lo realmente poderíamos Aqueronte a relação significam no pandeiros submissão há de lado wunscherfüllung sertão Spurk realizam em afrouxar mais para morre Oscar e antonce eles me colocaram uma camisa de força, apertada, muito apertada, me amarraram dos pés aos ombros e me colocaram num avião, sem saber para onde ia. Crime, imigração.

domingo, 5 de abril de 2026

 


                         




                               E querdite, Mancambira, Seu Nicolas Ferreira num quer que Seu Flávio ganhe. Ele sabe que se Seu Flávio ganhar, ele nam vai deixar ninguém de outra família ser candidato a presidente. É mesmo, Tunim, que família! Tudo é só pra ela. Êh mundacho torto, né, Frei Teodoro? É botar a cabeça fora, qu’eles cortam. Errado, Sartre, O homem está, se tentar ser livre. Kennedy que o diga. Fiscalizar usinas nucleares, vai! Moorreeu! Em Dallas, a boca cheia de balas. Ser livre, livre arbítrio! E ainda há, se os há! Quem acredite nisto e neles. O próprio Freud diz não existirem. Infinitas bestas. E uma coisa, o nome dele é Fábio, nam fale o apelido. A imprensa tenta sujar o nome do homem.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

SARAJEVO

 




                                Que te lembra, Dá, desta cidade? Nem me lembrar, queria, Mancambira. Turismo para matar em fins de semana. É a besta solta.  Gente morrendo no tiro ao alvo. Paga-se para matar, supérfluos, remédios.

terça-feira, 24 de março de 2026

 



                   



             Não, Manca, nam no eram. Nem este tanto havia n’Europa. Choro. Se fazem de doente por serem visitados; choro, batem, mas choram e tu pensas estarem apanhando. Adepois contam, às gargalhadas,  a miséria que fazem, como aquele, morrendo de rir, falando da água que punha no leite, em plena segunda guerra. Longe de gente assim, bom cuidar do corpo, melhor ainda d’amizades. Bons amigos, saúde boa, vida longa. Diz-me com quem andas. Aqueles, só desgraças. No é filho de ninguém, de quem nam houve? 

terça-feira, 10 de março de 2026

     




                        O Tabuleiro, não o da baiana, Zé Mancambira,  mas, o de Manezinho, por isso, Manezinho do Tabuleiro tem histórias, faltam poetas para contá-las em prosa e verso. Parada obrigatória de quem ia pr’Aroeira ou que de lá vinham pra Capela pra pedir água a quem ninguém se nega, porque a água é de Deus, não do diabo, não se vende nem se nega. Deve ter sido lá que Lindaura conhecera o primeiro homem que teve a coragem de engravidá-la, juro que não sei, nem faço a menor questão de saber. 

domingo, 8 de março de 2026

 




           Não há lágrima que resista a esta dor. Que todos se alevantem, ca também, contra nós, acá virá o inimigo, pois de sangue vivem e nem do sangue, nem do pranto se saciam e dançam e gritos de prazer, os súcubos, e gritos de prazer os íncubos. Chora minh’alma, chora. Implora e chora, d’alegria, chora, o fogo do céu caído d’oinimigo a testa. Flechas de fogo ardente manejadas do longe sobre a casa inatingível. Choro e ranger de dentes.

quinta-feira, 5 de março de 2026

 




                         Um cheiro de amor, um almíscar subindo, alastrando-se pelo quarto, enquanto escrevia o poema, inebriado por aquela redolência e triste e triste e triste por cada gemido dela, por cada suspiro dele. Alalala! E tu, Camões que dizes? Fogo que arde sem se ver, ferida que dói e não se sente; um contentamento descontente, dor que desatina sem doer. Eu? Françoise, Fico rindo atoa, que vontade, oh Deus, dade-me, mais uma vez,  a veer. E posso? Oh, tempo.

FAZENDO FARINHA


        Fazendo Farinha Olha a massa da mandioca, mãe


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

RECORDE

      




                           Andou bem, Zé Mancambira, o Ministério Público Federal que ajuizou ação contra a Globo por pronúncia errada da palavra recorde. E a liberdade de expressão, professor Joel? Não há liberdade para falar errado. E como é certa? Recorde, com acento no o, pois é paroxítona. E a Globo? É uma concessão pública e por isto tem o dever de escrever e pronunciar bem o português, porque uma de suas atribuições é também difundir a cultura e educação. Qualquer um tem o direito de errar menos uma emissora de televisão ou rádio, porque concessão do Estado.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026






Venho dizendo há mais dez anos que o PT precisa formar um líder jovem ou perderá o controle e, consequentemente, as eleições daqui pra frente para a direita. Lula não é eterno e não foi formado ninguém para substituí-lo. Nenhum partido cresce sem bons quadros e este é um dos problemas do PT.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

 



A treita, agora, Mancambira! Qual é? Acusar de Assédio. Ora pois, não é? A boca do povo. Já está condenado, Horus Didi, inda que absolvido seja. Eu, que fosse, Mancambira, queria, mil vezes ter matado crianças de tiro ao alvo, de tiro ao alvo, Mancambira! Que cair na boca do povo.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

 




                        

            Tu não aprendestes nada em Paris, Horus Didi! De nada adiantou dançares com Brigitte, a Bardot, nem discutires com Jean Paul Sartre no Deux Magots. Vanidade! Nada mais. Pois, tu, cheio de ti, não te permitiste aprender. Ah! Medo? Tu tens? De mulher? Quem inventou esta baboseira? E agora sofres o mal não resolvido? Esta dor dentro de ti, quem a trouxe para ti?  Esquecer não podes. Busca-a no mais dentro que possas alcançar e encontrarás, quem sabe? a salvação ou o orum por descanso. E quando tu te plantares em frente a Osiris para a pesagem na balança de Anúbis verás, sem tempo de arrepender-se de ter fugido do caminho já traçado; não será dado outro caminho para ti e tu viverás eternamente o remorso de tua covardia.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 





                       Siandra correu por entre o canavial se cortou braços, pernas, rostos sem porquê estava correndo. Descendo a Sierra Maestra, eles incendiaram Cuba e libertaram. Antõe Cego colocou um sino embaixo da gaveta para descobrir o ladrão que lhe roubasse. Aloísio Leal era escrivão mas advogava dos dois lados através de dois rábulas que assinavam petição que ele fazia. Mairi, Monte Alegre da Bahia. Totinha. de muletas corria muito mais que nós. Ninguém tinha merenda escola, quando em casa comia fufuta. Com leite é bom. De milho pisado no pilão. Com rapadura tomém é gostosa, fufuta. Branganzala, dava em roçado novo, como era doce, sua batata! João de Rosalina, quando lhe chamam de teiú, batia na bunda e dizia oiá aqui o teiú. Teiú é mãe. E Dom João VI enganou Napoleão? Como também a Inglaterra. Dija roubava um punhado de açúcar do armazém do pai, jogava na boca e punha o polegar direito chupar. Com os indicadores acariciava as sobrancelhas. Jarbas, o mais alto da turma, e, diziam, o mais bonito, tinha um destro. Entortava a boca, suspendia as sobrancelhas e dava toque no cabelo. Carminha de Zé Cadeira, minhom, branquinha, braços cobertos de pêlos pretos, lisos e brilhantes, muito bonita, sexy diziam. Tereza, lá da Rua Nova na saída pros Noventa, ao lado da casa de dona Pureza vinha pedir à sua mãe para dormir com ela todas as vezes que marido viajava. Estaria ela treinando-o para comê-lo mais tardes? Até hoje se pergunta. Vestida numa camisola azul Clarinha e cheirosa, dormia na sua cama. Medo, tinha medo de dormir sozinha. Creba a cara quem pensa ser sabido, tem sempre um mais que ele. Linda noite! que nunca te faças dia. O quam tristis et aflictus fui. E quando eu, distraidamente, reparava, com inveja, um lindo casal beijando-se, ardorosamente, na Rua Jean-Pierre Timbaut, bem em frente ao bistrô Au Chat Noir, quem vejo eu? Claude. Falou-me de Madame Faure, de suas eternas brigas e prometeu me ajudar. E foi assim que terminei por tocar meu berimbau no Au Chat Noir, onde ganhava dinheirinho. Dava pra comer e pagar o Hotel du Globe na Rua du Quatre Vents. 

domingo, 1 de fevereiro de 2026

ORELHA



       

                Tu non sabes de nada, Mancambira, há coisa pior neste mundo, Mancambira, nas barbas de quem chora a morte de um cachorro, crianças e idosos vivem vida de cão; nas barbas deste mundo imundo, gente, muito mais, chafurda no lixo o pão que lá se atiça e nos nada dizemos. Nem gestos, nem grito, nem palavras, tuas, nem minhas, ninguém. Todos. Por moda, exibição condenam os cães danados, matadores d’Orelha, o cão, mito e herói. E choram e gritam e pedem pena de morte, prisão perpétua. Dia chegará, Zé Mancambira. Pedirão, carne humana pra ração. Perto estamos. Como Brigitte, gritava pelos cães do Egito e silenciava a morte em Gaza. No, nam quero retornar. Frio, gelado lá embaixo. E quando chove? De doer. Melhor seria que me atirassem aos perros famintos de rua ou às lampreias de Védio Polião.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

  







Antre mim, antre você distam  verões, invernos distam, ainda assi p’ra ti eu corro e não descanso e só me canso. Extenuado estou, sem te encontrar e pois “Comigo me desavim, sou posto em todo perigo; não posso viver comigo, nem posso fugir de mim”. E tudo não vale ren, porquê ren vale la vida porquê a vida é um sonho. Um sonho, apenas, não é Calderon? Oh, samicas, deste sonho, um dia, acorde.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

 




Tocam os sinos d’agonia, Mancambira. de Berlioz Dies Irae. Tomam-nos nos seus braços-asas, inomináveis seres. Oh, Deus, livra-me de Deus e também dos amigos, que dos imigos, me livro eu. E Cristo, dizem, crucificado. Pegado com um jovem no parque da cidade. Onde estará a verdade?

 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026






Um barão assinalado, sem brasão, sem gume, nem lume, nem fama cumpre apenas o seu fado: (Não é, Jorge de Lima?) Ai, pois, amar, louvar sua dama, dia e noite navegar. Oh, intocável mar! Que é de aquém e de além-mar, a ilha que busca e mar que ama. A ilha não encontraste, o amor querido não veio. Que mais buscas neste mundo?