terça-feira, 28 de julho de 2026

 




              Somos todos inocentes. Massa de manobra para quem detém um mínimo de poder neste mundo de meu Deus. Sentinelas, homens comuns no meio da multidão para informar a chegada da polícias ou de facções rivais no pedaço.

segunda-feira, 13 de julho de 2026




                            Eu sei um homem, venusto e bom, melhor que todos, e, no entanto, pior, basta querer. Não me perguntes, quem, procura-o, tu, descobre, tu, tua verdade. E ele, numa piscina, escura, não n’água, em caca. Jogavam-lhe frutas que ele tentava alcançá-las, mas só de fora o pescoço. O vento atiçava longe a inhaca, no entanto, pessoas permaneciam em torno da piscina, comendo, bebendo, dançando, fornicando. Frei Leão chegou, portando a cruz do exorcismo, extendendo-a para o homem, recitando: Exsurgat Deus et dissipentur inimici ejus; et fugiant qui oderunt eum a facie ejus. Mais n’agonia de salvar-se do lodoçal que na crença no maligno, agarrou-se, com força, o lenho. O capucho não suportou o peso e estatelou-se no lago impuro, conspurcando hábito, barba e cruz. A moeda na boca do defunto encomendada a Caronte estava quase intacta, apenas com o desgate do tempo, o que significa que Deus nenhum está-se importando com as preocupações humanas, melhoria se tivessem dado aquela moeda a um verdadeiro necessitado.

terça-feira, 7 de julho de 2026

DEMOCRACIA, LIBERDADE E JUSTIÇA

 



                Três Palavras, Zé Mancambira, que só existem no papel. Nunca houve democracia, nem liberdade e muito menos justiça. A prova está nesta Copa do Mundo. Os times dos países do chamado terceiro mundo são literalmente roubados e eliminados desta Copa. Foi o caso do Egito, hoje. É o caso de toda uma comunidade de Sento Sé flagrantemente roubada por grileiros com a chancela, hoje, de parcela do Judiciário baiano. Hoje, pro mode, o futebol e a Copa, a Argentina é um dos países mais odiados do mundo. Mas, aí de ti, Copacabana, se contares a verdade. Eles te apunhalarão, a despeito da tua beleza cantada em versos e prosas.

domingo, 5 de julho de 2026








                    Dês qu’eu te vi e te oí falar, posso afirmar, minha menina, non mais dormi, nem vi prazer, nem mais folguei. Aquela janela azul, azulverdeazul, azul cortante, como te amo e te perco, mesmo em teus olhos vendo o amor sorrir. Ah! Intransponível medo. Que eu morra sem te ver, melhor que ver-te e te perder. Soluste é o tempo sem ti e non saber o tanto que perdi. Ah, malvado que não volta.

sábado, 13 de junho de 2026

 



                      Apesar de áptero, quando em perigo, ou pra me distrair, de vez em quando, eu alço vôo. Mas não é fácil e às vezes não dá certo. E há o perigo de me esborrachar lá embaixo. É sempre uma aventura. Como daquela vez no cemitério da Graça. Numa baixada, não conseguia voar muito alto, caindo sempre alguns metros adiante, enquanto a turba me perseguia com paus, pedras e o mais que conseguisse pegar para jogar em mim. 

quarta-feira, 3 de junho de 2026





             E eu, Mancambira, queria tanto! À vera, que existisse céu, que existisse deus. De vera, Horusdidi, Deus? Sim, cuspir na cara daquele safado! Você, não diz qu’ele nam existe? E é, nem posso me vingar dele. Vingar-se, professor? Não a mim, contra mim, ele, nada pode fazer. E ele pouco está-se lixando comigo, né, Bento Espinosa? Eu, Didi? Sei de nada, o sei, você está vendo, polir minhas lentes. Não basta o que fizeram comigo na sinagoga? E tu, inda me futucas, grande amigo? Muy amigo, Horus, Cabeça-de-falcão o que a mim, fizeram, os meus, não desejo a ninguém muito menos a ti, caro Didi. Sei, sei disto, Bento, não menos foi o teu penar, de quem, pregado na cruz. O menosprezo, a cafifa são alfanges criminosos. Mas, tudo fantasia, nós, simples espectadores da caravana que passa. Não, Lacan, não, não somos responsáveis por nada. Quem nos legou esta responsa? Seria o livre arbítrio? Ninguém se entende o que, hoje, digo apoiado em alguém, amanhã outro me convence de estar errado. Ouço Mercedes no ar, vejo Alfonsina no mar. 

quinta-feira, 21 de maio de 2026

 


                           



           E você vai deixar ele escrever? Vou, Mancambira, se não ficar bom, não publico. Boa sorte, pra ele. Obrigado. E é assim. Hotel du Globe, Nadine, me disse, de Strasbourg, por isso falava rápido. Ela, Nadine, dos olhos tão azuis, bateu na porta do meu quarto. Não foi um bater  calmo e amigável, nervoso e insistente.