Queima! Texas livre! Nossa Senhora Aparecida mexe, mexe! Ninguém é livre, Neruda. No próximo junho vou ao túmulo de Cristo no Japão.
Eu já estava pra fechar o mercado, conversava com um colega, oficial justiça, quando entrou um samango. Moreno alto, pele lisa, cabelo à moda policial, fardado e armado, portanto, estava a serviço. Pediu um saco e ele começou a escolher umas bananas, entre as menos maduros, perguntando porque não comprava bananas mais verdes. Disse-lhe que aquelas eram de vez, mas já tinham amadurecido e se comprasse muito verde não amadureciam ou amadureciam sem gosto. Enquanto isto, comecei a arrumar tudo para fechar o mercadinho, deixando meu sócio atendendo. Fechamos a loja e saímos todos juntos, quando perguntei ao sócio se ele tinha pago. O soldado disse que ainda não, mas ia pagar naquele momento. Meteu a mão no bolso e tirou duas moedas, uma de um centavo e outra de cinco. Chamei meu sócio para conferir e testemunhar a extorsão do militar. Ele me disse entre zombeteiro e ameaçador. Diga o nome dele, colega não é nome e foi saindo, enquanto eu, ligeiramente nervoso procurava o celular para gravar, por quanto ele sumia na esquina, perdendo-o, eu, de vista. Eu que ficava então sem seu nome, sem uma foto sua, sem nada.
Opa, que bagunça é esta em meu romance, rapaz? Ô Seu Didi, pensei que o senhor iria gostar! Gostar o quê, cara, totalmente fora do tema, de meu estilo, vai quebrar a unidade! Ponha aí, antes que me esqueça. E o Cabelim tá cada vez mais, diabo me esqueci. Deixa prá lá.
E eu vou atrás de meu ladrão! Seu ladrão? O ladrão é praça, cuidado pra não perderes a praça. Destas manhãs eu entendo.
Grand’homi Mancambira, o pau tá quebrando no Supremo e ninguém está percebendo a razão de tudo isto. Brasileiro vê tudo no varejo, não fazem leitura da realidade, acham ser, apenas, uma briga de dois ministros, puxando brasa para suas sardinhas. E não é Didá? Não, nunca foi. É a continuação do golpe iniciado com o Mensalão, agora apoiado pelos Estados Unidos, Israel, e outras republiquetas da latino-américa. A realidade nunca é o que aparenta ser. Ela é muito coisa a mais do que vêem teus ingênuos olhos.
E o Contestado que é Didi? Ah Mancambira, muito complicado, explicar a uma só pessoa. Foi a fã felicitar a famosa que, efusiva lhe ofereceu a face, quando aquela fragou-lhe um beijo na boca, deixando-a confusa e atordoada. É isto um assédio? Hoje, o Estado ausente, importa defender-se. Toda luta ajuda. Aprenda, portanto, atirar, infelizmente, também. Confiança e cautela, você ganha. Belo demais para se definir, Mancambira o homem faz coisas que até Deus duvida. E Gerstil. Mala iuga, cáli iuga, né Frei Teodoro? Mundo grande e pequeno; bonito e feio; bom e perverso; igual e díspar; rico e pobre; amado e odiado; contudo, quem de nós quer partir? Todos a ti se apegam, mundo véi, loco, não te querem largar. Ieu mesmo! Nem que seja pra comer pau, pedra ou cobra; nem que seja pra sentir calor ou frio; na fartança ou na famina; n’alegria ou na tristeza; no rir ou no chorar; não partir, Zé Mancambira, tu quererias? Ele chegou na igreja protestante que se tornou moda frequentá-lá, até mesmo ateus a frequentavam, tal como faziam para a benção de Santo Antonio na igreja dos franciscanos na Praça da Sé. Iam pela moda pela diversidades das pessoas, pela beleza das jovens, pelos coquetéis dos bares vizinhos, pelo jogo da capoeira na praça, a paquera, origem de muitos casamentos, por tudo enfim. Foi, então, que ele começou a jogar pedras na igreja, esperando que outros o acompanhassem, mas parece que a moda de jogar pedras na igrejas estava se acabando, pois ninguém o acompanhou, e pior, alguns reclamavam com ele, e pior ainda, as pedras nem atingiam as janelas. Antigamente, bastava um começar praquê todos o seguisse, atiçando contra a igreja seixos, calhaus e mais o que encontrassem pela frente. Os obreiros saíam ameaçando-os com o fogo do inferno. Pareciam estarem inebriados com dryzin, a diamba de hoje, braba e marvada. Com certeza, escondiam debaixo de seus palitós, armas de fogo e spray de pimenta, tão na moda, agora. Me vi menino. Em Capela. Tu te lembras, Pureza, das pedras que jogavam na tua igreja? Dona Pureza, o símbolo do protestantismo de Capela, como Rosalina o era do catolicismo. Eu não jogava pedras na Pureza, quer dizer, na igreja, todavia omnes ammicos meos o faziam com muitas gargalhadas. E de supetão, apareceu uma duna. A muié, com dois punhais, um em cada mão, ameaçava a polícia, mais duma dúzia. Em Capela? Não, não moço nos Estados Unidos. Você fica pulando como um cabrito pra contar um causo! Os puliças: larga as facas e deita no chão! A fema, como uma Maria Bonita, fez foi avançar contra a churta. Os samangos atiraram sem piedade. A mulher estrebuchou-se no passeio. L’hom vala pli pauc che l’animal. Atira-se no animal, com entorpecentes, não para matá-lo.