terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

 





                       Siandra correu por entre o canavial se cortou braços, pernas, rostos sem porquê estava correndo. Antõe Cego colocou um sino embaixo da gaveta para descobrir o ladrão que lhe roubasse. Aloísio Leal era escrivão mas advogava dos dois lados através de dois rábulas que assinavam petição que ele fazia. Mairi, Monte Alegre da Bahia. Totinha. de muletas corria muito mais que nós. Ninguém tinha merenda escola, quando em casa comia fufuta. Com leite é bom. De milho pisado no pilão. Com rapadura tomém é gostosa, fufuta. Branganzala, dava em roçado novo, como era doce, sua batata! João de Rosalina, quando lhe chamam de teiú, batia na bunda e dizia oiá aqui o teiú. Teiú é mãe. E Dom João VI enganou Napoleão? Como também a Inglaterra.

domingo, 1 de fevereiro de 2026

ORELHA



       

                Tu non sabe nada, Mancambira, há coisa pior neste mundo, Mancambira, nas barbas de quem chora a morte de um cachorro, crianças e idosos vivem vida de cão; nas barbas deste mundo imundo, gente, muito mais, chafurda no lixo o pão que lá se atiça e nos nada dizemos. Nem gestos, nem grito, nem palavras, tuas, nem minhas, ninguém. Todos. Por moda, exibição condenam os cães danados, matadores d’Orelha, o cão, mito e herói. E choram e gritam e pedem pena de morte, prisão perpétua. Dia chegará, Zé Mancambira. Pedirão, carne humana pra ração. Perto estamos. Como Brigitte, gritava pelos cães do Egito e silenciava a morte em Gaza.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

  







Antre mim, antre você distam  verões, invernos distam, ainda assi p’ra ti eu corro e não descanso e só me canso. Extenuado estou, sem te encontrar e pois “Comigo me desavim, sou posto em todo perigo; não posso viver comigo, nem posso fugir de mim”. E tudo não vale ren, porquê ren vale la vida porquê a vida é um sonho. Um sonho, apenas, não é Calderon? Oh, samicas, deste sonho, um dia, acorde.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

 




Tocam os sinos d’agonia, Mancambira. de Berlioz Dies Irae. Tomam-nos nos seus braços-asas, inomináveis seres.

 

sexta-feira, 9 de janeiro de 2026






Um barão assinalado, sem brasão, sem gume, nem lume, nem fama cumpre apenas o seu fado: (Não é, Jorge de Lima?) Ai, pois, amar, louvar sua dama, dia e noite navegar. Oh, intocável mar! Que é de aquém e de além-mar, a ilha que busca e mar que ama. A ilha não encontraste, o amor querido não veio. Que mais buscas neste mundo?

domingo, 28 de dezembro de 2025

 






Oxente, gente, non tá vendo que tá tudo errado? Curandeiro, rezador, benzedor, sangoma. A razão tem limites, né, Gödel? E onde a razão não chega, corre-se, pra não perder o tino, atrás da fé. Eita mundo veio danado, ninguém, contigo, fica acostumado. Trem maluco, este mundo, né, não Mancambira? Ah que vontade de comer branganzala. Lá no Salgado, quando se fazia roçado novo era que. E como eram doces suas batatas, inda meladas de terra cujo suco escorregava pelas mãos, meninos. Oh tempos! Não, não lamento a escuridão, a fome, o medo, a solidão das  noites, das muriçocas sobre nossa cabeça. Rapaz, tou admirado. De que Mancambira? O ex-presidente pediu ao relator de seu processo a redução de sua prisão pela leitura de livros. É um direito dele, Manca. Sei, Horusdidi, mas, quando ele aprender a ler já se esgotou o tempo de sua prisão.

BRIGITTE BARDOT

      







A dor vem quando menos se espera. Tu não tinhas outro dia pra morrer, não  sua nojenta? logo quando estava me preparando para falar de Freud e outros curandeiros, tu vem a morrer? Não que não queira que tu morras ou tu vivas, já que tenhas trocado o homem pelo bicho, como se fosse possível salvá-los do homem ou de outros bichos. Não me parecias tão maluca quando me pedistes para ensinar o caminho do banheiro lá no Feijoada, de Madame Faure. Tu te lembras? E o cachorro do vizinho, sim, era um inho. Latindo, latindo, mas chorando que latindo. O que é, seu cuzão? Disse o vizinho, vai-te fuder, porra! Pra quê, ter?