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segunda-feira, 10 de abril de 2023

PUERI HEBRAEORUM

 






                 Pueri hebrareorum                                                                                 Portantes ramos olivarum                                                                       Obviaverunt Domino,                                                                             Clamantes et dicentes                                                                            Benedictus qui venit in nomine domini.                                                                                                                                                            Zé, tá dormindo, Zé? não Didi, Mancambira não dorme cochila. José Gonçalves de Almeida Barbosa do Carmo e Almeida Pacheco Maia de Oliveira, dorme, mas de um olho fechado, o outro aberto. Pois abre o para ouvir e os ouvidos. Qual a nova agora, Didá? Vem do Tibete. Do Tibete? Melhor dizendo de Sua Santidade Dalai Lama. Morreu? não homi, está vivinho da silva. E o que foi? pediu a uma briança que beijasse, chupasse sua lingua. Isto é mentira, o homem é santo! Santo? Imagina, se não fosse! Pois tem ´vídeo dele beijando a criança. A mídia caiu matando. Nojento, pedófilo, inapropriado dizem uns e outros. Nojento, por quê, Didi? Isto tambem é preconceito só porque tem 87 anos? Então se tivesse 27, podia? Lembro-me de Haroldo Pitágoras, no jovem tudo é lindo. Pobre de quem envelhece, tudo lhe é proibido. Mas o certo é que o veiote pôs a lingua pra fora, mama disse. Oh! mondo cane, por menos disto, na Iberia, levaram outro pras galés. Foi, rapaz? Isto porque é santo, imagina se não fosse? Imagina, digo eu, se fosse o outro, o Santíssimo Papa. Aí, a tampa de baixo colaria com a de riba. E o que dizer disto: Deixai vir a mim as criancinhas? Tem o mundo tara por imberbes pucelas? Blasfemo, íncubo de los infiernos, grita a turba, mais por invídia, cabelos de cobra, que por indignação. Louco mundo, né, Frei Teodoro? Mundacho torto, filho, mundacho torto. E agora é o pobre do Boaventura, como acreditar? Vamos ouvir La Zenaida, Armando Hernandez? Loco, mondo.

quarta-feira, 20 de junho de 2018










                                           




  Vôo 020320415453 da Nordeste,em 14.08.2003,  vou, na poltrona, encolhido,  afugentar o medo. Passam nuvens, passam, longe e longe mar e terra, terraimar. Se cair, não vou me afogar, não dá tempo, peixes não deixam, me comem antes. Caramba, sacanagem, peidaram no recinto, vai derreter a fuselagem. Gordão ao lado? Por que ele? Gordofobia. Coitado, vai ver, neem. O circunspecto senhor ledor da frente e não daquele lado?  O jovem  ali detrás? Não acredito, jovem não peida, solta eflúvios de juventude. Um peido intelectual, destes que saem de mansinho e, inclementes, rodopiam sobre a vítima. Leal. Porque aspirar flatos, só de amigos, que ao menos um peido não nos negam, embora saibam, o peido,  bom, só a seu dono. A ele alivia, ao outro, agonia. Avante, saiamos,  buscar a paz noutro sítio.
Voo 1907. Aquela comissária, os cabelos pretos como as asas da graúna. Viva Alencar. São quase todas belas. Não exuberantes de arrebatar viajantes, mas suave e aconchegante, envolvê-los na travessia do medo. Que fazes tu, poeta, sobre as asas desta nave? 
Hum mil novecentos e sessenta e quatro. Apenas chegado à maioridade. Como Jango, corrido do golpe militar. O avião da Panair do Brasil para Recife.  Na mala, carta. O diretor da faculdade o recomenda ao mundo. Noutra, do diretor do serviço médico ao reitor da Universidade de Recife. O jovem vai ficar 5 dias, destino Paris,  peço para hospedá-lo na Casa Universitária. Vôo da Amizade TAP/PANAIR para Lisboa.
Em Recife a noticia. Antecipação do  vôo para o dia seguinte.   Esperar no aeroporto. Nada mais chato. Aproveitar. Conhecer Recife, o centro. A zona. Aprender que garçom em Recife é baiano. As putas, como na Bahia. Moiçoilas  abandonadas pelos país, depois que deram para o namorado ou um aventureiro qualquer. No mais das vezes eram simples aventureiros que cantavam a donzela prometendo o mundo. Vitimas de um machismo atroz.  Se eram ricas e nobres o castigo era o convento, se pobres e plebeias o prostíbulo que aliás não fazia muita diferença. Nos conventos as noviças continuavam a se encontrar com seus amantes com o beneplácito da madre superiora, quando não se tornavam elas mesmas amantes de suas noviças. Em nome de Deus, viva a sagrada putaria, ante-sala do céu. Não, os muçulmanos são mais felizes quando morrem em combate, teem suas virgens lá no céu. O céu cristão só tem  velhos e velhas, beatas babando os olhos do Cristo, nu na cruz pregado, insinuando-se sensualmente, mas, noli me tangere.  Quem quiser que faça sua putaria lá na terra e depois peça perdão para entrar no céu, como fazia Santa Tereza. Um serafim descia lá do céu e vinha jogar sua lança nas entranhas da santa, um entra lança e sai lança que não se sabe como o danado não a engravidou. Por certo era estéril, como todo animal híbrido. Se quiser pode comprar indulgências a preço de ocasião. O papa precisa de dinheiro, fazer as Cruzadas,  fomentar as guerras,  conquistar almas para o Cristo guloso.
Me  vi debaixo das pernas daquela aeromoça inclinando-se a pedido do passageiro, acomodar sua maleta. Como te chamarei? Não importa. Serás mais umas daquelas sem nome que passam como cometas por nossas vidas, alumiando, apenas por segundos o espaço sideral. Depois, foi aquela francesa,  velha  chata. Reclamava de tudo depois pedia-me que  traduzisse seus xingamentos. Reclamou quando em Aracaju o avião foi reabastecido em tonéis. Novo para ela, para mim, muito mais.