segunda-feira, 1 de setembro de 2025

SE É QUE ME LEMBRO

        







          O nome, todos os nomes, deixa prá lá, Saramago. Tu te importas que não mo recorde? Alguém há-de reclamar. Nomes trazem cargas simbólicas, influenciar a narração. Pois bem,  inventemos um. Fidel? Sim, do requeijão, simpático vendedor na feira de Vaz da Roça. Fidé, assim chamavam-no. Tombém, ansi chama-lo-ei, posto que não me lembre. O do carnaval, que, como nuvem passageira, amigos fomos, Pierrô que fora, Arlequim também corríamos empós de ūnha Colombina que nunca fora, com a turma lá gritando tem nego bebo aí, tem nego aí. E assim que Pierrô e Colombina   e Arlequim, tão démodés, perderam-se na multidão. Pierrô perdido foi cair na roça de Seu Calheira, onde foi achado, roubando cacau. Laranja madura, na beira da estrada tem marimbondo no pé. Os vigias de Seu Calheira. Acabou nosso carnaval, não se ouve mais cantar canções, nem se vê as lágrimas do Pierrô, nem se sente o cheiro da Colombina, a Colombina sem amor, pelas ruas de Gandu do Corujão. E no entanto é preciso viver e viver é o agora não, o amanhã, né Heidegger?  

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