quarta-feira, 23 de outubro de 2019

MENINOS, EU VI















                             Meninos, eu vi. Na catinga e favelas,  guerreiros  errantes, outrora pujantes do povo tupi, meninos eu vi. 
                                            
                            No meio das tabas de amenos verdores
                            Cercadas de troncos - cobertos de flores
                               Alteiam-se os tetos d´altiva nação;
                            São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
                            Temíveis na guerra, que em densas coortes,
                           Assombram das  m matas a imensa extensão.
                           
                           Meninos, eu vi, Manoel Gomes surgir.
                          Meninos, eu vi, em terras d´Arariboia, 
                          Vi guajarara sumir, é Paulino Guajarara.
                          Que o branco tirou daqui.
                            

                            
                                     
                            

sábado, 19 de outubro de 2019

LA SEINE SAIGNE




           




                                
                                        Tu não viste nada au mai 68. Não, tu nada viste em Paris. Estudantes n´avenida, obreiros, também pedras na mão. Tu não os viste. La Seine saigner, tu não viste. Tu não ouviste cantarem frente a frente a Internacional e a Marselhesa. Viste, tu, queimar aquela bangnole? E nos gritar a brasileira de selvagens? O Sena vai sangrar, o Sena vai sangrar. Que proferiu esta profecia? De Gaulle au poteau! De Gaulle au Poteau, gritava eu, gritava a turba. Ah, tu nada viste ainda, neste mundo.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019














                                                  Ai mardito dia, quando poderia muito ver os  olhos de Quité, muito mais interessantes que teus cabelos dourados e teu corpo pequenês que o amor não deixara enxergar. Longe, muito longe fui ver o corpo de Brigitte que Jean queria  namorasse, no lugar de Normando. Mas, quem dedilha cordas tem vantagens sobre quem lava pratos mesmo sabendo que poderia ter pela frente mais futuro que um simples cantor e seu violão. Não me maldigo. A humanidade é assim. Já na Grécia enquanto filósofos e poetas viviam vida frugal os atletas tinham vida doce como o mel, graças ao ganho de prêmios e honrarias recebidas pelo resto da vida, alguns adorados como deuses. Não se diga, agora, estranhos os tempos, estes, desde sempre o foram. 

terça-feira, 15 de outubro de 2019












                       
            
                                   kirimurê, eu sempre ia lá,  nem sempre bebia os preços, proibitivos para estudantes, só quem estava fazendo sucesso como Caetano, Gil, Betânia e Gal paravam. Os baba-ovos, alguns mais endinheirados entravam, a patuleia fica de fora amontoados na ladeira da Gamboa, bebericando o sobejo dos drinques dos mais afortunados. Isto depois de ter paparicado um ingresso para uma peça de um global, ou o ballet do Senegal, com suas pretas palpitantes e elétricas. Ela um presente merecer um bon soir de alguma delas, em principio arredias, embora simpáticas. Sassá embê nuar moi deva ju diecui duar quoi faire saramaká astracã corredor polonês cabila

sábado, 28 de setembro de 2019

GRETA THUNBERG








                                  Em andanças nesta plana terra, tive e, creio, ainda terei,  muitas Gretas. Gretas ja, Thunberg, nej. Não de uma noite para um dia, de séculos de subserviência. Nej, nestas, não se lhes haviam diagnosticado nenhuma síndrome de Asperger, TDAH, autismo. mutismo ou qualquer outra arenga que a psico-medicina burguesa engendrou por enfeitar a vida de quem pode pagar por isto. Curtiam as deficiências na enxada, na catana, no pote d´água, no feixe de lenha e tantoutros  afazeres nunca dantes por ti sonhados, minha menina. Oh, quão louco o mundo, cumari devi escolhida. Homem, canso, frágil, sem siso. Afanas o mundo, crias ilusões, atiras migalhas. Suave neném, tu sabes que os escravos dos teus, quando morriam, eram deixados aos cães e aves rapina? Não é verdade Ibn Fadlan? Ai, ai,  vivi para ver. Menina e dois irmãos, sol a pino, estrada Itaberaba  Iaçu, tapando buracos, por alguns trocados. Três chocolates. Nunca tinham comido. Oh, minha flica, tu não sabes de nada. Tu n´as rien vu a Hiroshima. Tu não sabes de nada, tjej. Muitas, doze anos, sem o que comer, já são mães; Tu não viste, embaixo da Eiffel,  ser preso o praça norteamericano, por mijar no túmulo do soldado desconhecido. Jag ska tala om en sak. Fácil, muito fácil jogar pedras na lua, difícil, muito difícil, defender quem só pedras tem pra fazer guerra. Dificil, mycket svårt, defender quem só a vê a luz por uma greta. Quem gretado pela fome, longa e pesada larica, gretas de. Greta, tu não sabes o que é ter greta de larica.

quinta-feira, 26 de setembro de 2019













                                                  Quer falar, apiaba, deixem-no dizer o que pretende. Não tenham medo, não será nenhuma maldição, nenhuma profecia, apenas dizer como sente seu mundo. Aqui, apiaba veio, falar, quer. Boca pra falar, apiaba tem.

sábado, 31 de agosto de 2019













                        Statuario, il pingue Buck Mulligan spuntò em cima alle scale con in mano una ciotola di schiuma su cui giacevano in croce uno specchio e un rasoio. La vestaglia gialla, slacciata, era lievemente sostenuta alle sue spalle dall´aria delicata del mattino. Alzó la ciotola al cielo e intonò:
                          - Introibo ad altare Dei.
                          - Ad  Deum qui laetificat juventutem meam.e
                       E lá vão anos e dores e saudades e dores e saudades e furtivos olhares tímidos pela nave, de gente cheirosa, coalhada, pelo turíbulo incensada por mãos inda virgens do pecado, em Capela iniciado, apenas. Olhar não faz mal, leva ao mal, dizem os freis. Quem poderia dizer, um dia falando de Buck Mulligan e não em Zé Macambira, Tico Doido, Tenente e Zé  Canário? Voltas que o mundo dá,  num retorno eterno? Caminha, rapaz, nós tem de chegar cedo n´Aroeira, vender o quebra-queixo, não fica aí mamparrando, que o sol já está nascendo. No salgado, a areia do riacho, onde se punha os animais pra urinar. Vendo as lagartixas correrem dos pés dos animais. Quando sentem muito medo, fingem-se de mortas para não serem apanhadas. Cada bicho como sua defesa, assim mesmo o homem. Um direito sagrado. Agora corro, Deixo Capela do Alto Alegre, vejo a capela do castelo. Monseur Monet expunha suas telas. Impressionismo, Didi, ele é o mestre do impressionismo. Impressionado, mas alheio, perdido. Pouco ouvira falar. Quanto se tem de aprender. Maman Gabrielle mandava, gentilmente, tomar notas. Primeiro artigo pru  jornal.