segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020














                          

                                            
                                    Ela dormia comigo de ponta cabeça, não porque eu não quisesse, por medo. Uma cama de solteiro. Criança, na casa de tio Pedro, com os primos. Na casa de tio Cândido também. Cama de vento, ou de couro, ou de cordas.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020













                                   Seu olhar. Onde estivesse me olhava, no saguão, nos corredores, na cantina, na sala de aula. Baixava as vistas, envergonhado. Já no vestibular, gosto de sua postura frente à banca. Cabeça erguida para os professores. Nem eu percebia. Noiva, ia casar. Um empecilho, não achava justo. Queria me mostrar o apartamento onde iria morar. Desculpas para não ir. Fomos. Na Barra, Marquês de Caravelas, um prédio novo. Falava, falava, calado, aturdido. Elevador, cheirando a alho. Ela abriu a porta. Inda sentia a tinta, branco. Novo, sofá, mesa, um jarro com folhas de pitanga,  cadeiras. A cozinha, intacta. Que dizer agora? Que não a tive? Estão doidos para saber.

domingo, 9 de fevereiro de 2020













                                 


                                        Enquanto espero o resultado do mais que manjado Oscar, penso em quanto foste estúpido. Não gosto que desrespeitem minhas orientações, se vocês soubessem se defender não precisariam de defensores. Insistiu no silêncio. Não confiou no seu defensor, tornando impossível a defesa. O mais eficiente seria o asilo, cabível no caso, pelo direito de viver. Burro, não aceitaste. A estupidez, a arrogância, não deixaram. Agora, nem tico, nem taco. Nada mais se pode fazer, a menos que tenhas deixado alguma gravação. Sim, E a vida? Não adiantou ter-me ligado. 

domingo, 26 de janeiro de 2020

CORANAVIRUS



















                                                    Começo pelo cavalo ou pelo bispo? Pelo bispo você não pode começar, sem pedir passagem a um peão. Ah.sim? Cavalo come bispo? Sim, mas o bispo, às vezes, pode comer uma égua, se der sopa. Cafarto, sou eu. E muitos são. Seminário Dom Justino Russolillo, as vocações perdidas, vocacionistas, Colégio Gilberto Viana, Itambé, todo começo. Nem Marli, nem outra qualquer, os próprios padres. Saudades do Rio Pardo. Escrito na carteira de identidade. O vis aeternitatis, quanto à força do destino, ninguém pode lutar e vencer. Gracias a la vida que me ha dado tanto, a ti não temo oh corona, no tabuleiro, mexo e tu corres e te venço e te ceifo e te. Gracias a la vida. Quando a rainha perde a montaria, o rei fica fraco, o peão, sem forças, trota e nunca chega a ser rainha. Chega?




                                    

sábado, 11 de janeiro de 2020














                      
                                         

                                         Morrido, só você não sabe, quem fica sim e se te ama, sofre, tu não. Nem sabes que estás sendo devorado por outras vidas. Pode ser difícil suportar tua ausência, assim como se fores um estúpido. Talvez o mundo queira sua morte, sobrará um prato. Se não produzes, então! Polo tanto, se você não ouviu com seus ouvidos, nem viu com seus olhos, não construa com sua mente, nem alardeie com sua boca, podes te arrependeres, despues. Horus, Didi, Dá que te vai pela mente? Estás deveras sorumbático hoje. Hoje? Ai, saudade. Da fufuta com café e leite, da cana assada na brasa, do licuri com rapadura, d´imbusada com farinha, das branganzalas nos roçados, sua doce batata, sua linda flor. Tempos ruins, cadê meu carnaval? Balas, balas, balas.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2020

                                   










                           
                                                   Pìktas estou. Blögas lambaz por quina do cerrado me dizia ele, muitos bois na invernada de Goiás. Somos todos lambazes, simples lambren, lambrens, cordeirinhos. Isto é mara. A marrã está boa pru machado. Sois brandos.




                                                    

domingo, 5 de janeiro de 2020

QASSEM SOLEIMANI













                            
                                 Sei não. Parece. Esconde alguma coisa, a valentia? Estranho, algo, definição impossível. E nós ficamos à mercê de um único senhor. Timur, o coxo, é ferro. Um cão raivoso. Corramos de seu dente. Com a bunda n´alcatifa, minimimado, dedo num botão, Tamerlão, o ladrão de ovelhas, comanda e apavora, for how long? Mas eu te avisei, não avisei? Contra o salteador, a vigília deve ser constante. Pestanejaste, logo, o desastre. Não te esqueças qu´eu, mesmo pela luta, digo  sempre,  a guerra só aproveita a uns poucos, e, a morte dum chefe. puro descuido, ou acidente. Quem de facto morre? A populaça, o sem-abrigo, o operário, o velho, a criança e soldado. Este vai à guerra matar quem não conhece, sem nem mesmo saber porquê o faz. Bendita e abominável. Odeio o progresso regado a sangue. As pirâmides, a conquista d´América, o canal de Suez, o de Panamá. Sangria, sangria. Não, tu? Paz se faz com sangue? Que dorida verdade. Sangre e lágrimas. Blood and slezy. Mundo, aprisionados todos, sem nunca ter pedido para aqui estar. Ai de mim, pobre de mim, que fiz pra merecer um tal castigo? Não, não digas nada. Entendi, apenas o ter nascido. Oh, Deus, silve natura, prouvera eu nem tenha nascido. Aonde vais, tu, homem sem cabeça, de arco e flecha na mão? Não vês que a ti é que vais matar? Dime, por que não largas as armas e não divides com teu irmão o butim? Vês, o camotim te espera, enquanto bem longe da batalha, bebem à tua morte e cantam vitória.