E eu, Mancambira, queria tanto! À vera, que existisse céu, que existisse deus. De vera, Horusdidi, Deus? Sim, cuspir na cara daquele safado! Você, não diz qu’ele nam existe? E é, nem posso me vingar dele. Vingar-se, professor? Não a mim, contra mim, ele, nada pode fazer. E ele pouco está-se lixando comigo, né, Bento Espinosa? Eu, Didi? Sei de nada, o sei, você está vendo, polir minhas lentes. Não basta o que fizeram comigo na sinagoga? E tu, inda me futucas, grande amigo? Muy amigo, Horus, Cabeça-de-falcão o que a mim, fizeram, os meus, não desejo a ninguém muito menos a ti, caro Didi. Sei, sei disto, Bento, não menos foi o teu penar, de quem, pregado na cruz. O menosprezo, a cafifa são alfanges criminosos. Mas, tudo fantasia, nós, simples espectadores da caravana que passa. Não, Lacan, não, não somos responsáveis por nada. Quem nos legou esta responsa? Seria o livre arbítrio? Ninguém se entende o que, hoje, digo apoiado em alguém, amanhã outro me convence de estar errado. Ouço Mercedes no ar, vejo Alfonsina no mar.