terça-feira, 16 de janeiro de 2018
sábado, 30 de dezembro de 2017
"Bolo doce que eu veja
a sal me sabe.
Até o mais suave e doce vinho
é para mim como fel de ave.
Só teus beijos a meu coração dão vida.
O que encontrei, Amon o dê
para toda a eternidade."
Literatura egípcia
in, Cantigas de Amor do Oriente Antigo
Estudo e tradução de José Nunes Carreira, Edições Cosmos
sexta-feira, 29 de dezembro de 2017
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
quarta-feira, 27 de dezembro de 2017
Deixem que existam diferentes religiões,
deixem que floresçam, deixem que a glória Divina seja louvada em todos os
idiomas do mundo. Respeitem as diferenças entre religiões e reconheçam-nas como
válidas, sempre que estas diferenças não tratem de extinguir a chama da
irmandade do homem e a paternidade de Deus. Belas palavras de Śri Sathya Sai Baba, morrido hoje 24 de abril
de dois mil e onze, em Puttaparthi.
Encarnação
de Deus, um impostor. Jesus que os
gregos chamaram Ungido (Antes de ser enterrado ungiram-no de óleo, Cristo), não se nega ter sido homem. Só os
docetas, hereges. Corpo, um fantasma, sofrimento e morte, aparente. Sendo Deus, sofrer? Deus não era. Jesus, nem do nome se tem certeza, (Esqueceram de
registrá-lo no cartório e há quem diga se chamar Emanuel), nasceu de uma
mulher, embora por inseminação artificial, fruto de celeste doação de sêmen, teve um corpo, logo, há de se admitir, cuspia, peidava, mijava, e
cagava, pois ninguém nega comer
ele do peixe pescado pelos discípulos, e quem come tem de cagar, pois como se
disse, antes de pregado na cruz, ceou
com seus doze homens, pão e peixe,
regado a bom vinho, porque, sendo ele rei dos judeus, não iria beber um carrasco
qualquer, com a vantagem, ainda, de poder fazer da água o melhor dos vinhos, se algum de seus apóstolos não mais
encontrasse da boa uva fermentada nas adegas,
onde bebiam soldados romanos, fariseus, prostitutas e aduladores, porque todo
povo dominado tem seus covardes e puxa-sacos. O vinho como bem disse Plinio, o
velho, é o sangue da terra e é deste sangue que se alimenta o senhor com seus
fieis seguidores.
Queria
eu dizer o que? Jesus, corpo e vida
d´homem, tanto que crucificado, embora não o se tenha achado, pois o corpo
procurado escafedeu-se num estrondo,
botando a correr, cagando-se, sentinelas e curiosos. Devia ser mesmo
assustador aquele homem surgindo das profundezas dos infernos, tal como pintou
El Greco, exangue, comprido, e seminu,
derribando a todos subindo aos céus, sem
cordão puxando-o para cima, nem fogo alimentando um balão como nas
noites de São João. A soldadesca e as prostitutas que o seduzia nem teve tempo
de correr. E lá se vai mais um mistério, porque toda religião que se preza tem
de ter mistérios e milagres, pra não cair na vulgaridade e quedar-se manca de
credibilidade. Há mesmo quem negue sua própria existência. Michael Paulkovich, hoje, afirma ter estudado cento e vinte e seis escritores da época do
nazareno e as seguintes. Nenhuma palavra. Teria sido o divino mestre simples
criação dos rabinos, por necessidade de herói, um seguidor? Paulo, nascido
Saulo em Tarso, na atual Turquia, não sabe onde e nem mesmo quando Jesus
nasceu. Sua crucificação, uma metáfora. Só Josefo, 95 anos depois cita Jesus.
Teria sido acrescentado em edições posteriores, como se afirma? E a
ressurreição, contada por Marcos, que tampouco conheceu Jesus, teria sido também
reeditada? Ninguém fala do homem da Galiléia, levando a dúvidas sobre
o divino cabeludo. Teria sido Jesus, Homem-Deus,
e o cabeludo Sai Babá, um cabeludo impostor? Corpo de Cristo,
lembra-me a piada do padre e do bêbedo.
Antes da missa o padre foi ao sanitário, mas esqueceu de lavar as mãos.Na
comunhão o bêbedo recebe a hóstia, com as palavras santas. Este é o corpo de
Cristo... Contrito foi-se ajoelhar no seu lugar. Mas, bêbedo é bêbedo, virando
para o vizinho, disse. Se esta porra é
realmente do corpo de Cristo, dei muito azar, peguei logo a parte do cu.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2017
“Quem não
odiaria Védio Polião mais do que os escravos dele? Ele engordava as lampreias
com o sangue humano, sendo que a quem lhe causasse alguma ofensa, ele mandava
enclausurar num reduto de serpentes”
Eis um
indivíduo merecedor de mil mortes. Ele jogava
seus escravos para servirem às lampreias de alimento e só delas se
servia depois de gordas. Sêneca.“A
Clemência”. Ao imperador oferece, Védio, um prândio. E depois quer Condenar o escravo
às lampreias por Copo-cristal, quebrado.Esquecestes, Védio, do pai escravo?
Rico, forro, posição social. Estarias
mentindo, Sêneca? Aos pésde Augusto, o escravo.
- Quebrem todos os cristais e os aticem ao
viveiro, Augusto para os convivas.
- Achas mesmo que podes tirar a vida de um homem de nosso convívio, por tão
pequena falta e tão ignominioso castigo? Pensas que podes executar alguém na
presença de César?Augusto para Védio.
Clemência,
magnanimidade, luxo, ontem e hoje.
Pensamentos, a caminho da faculdade. Besta, escolher
economia. Vou me dar mal. Matemática e estatística. Por que não, direito? Moda,
economia. Cinema inda vou fazer. Védio Polião. Magnanimidade. Perdoar a quem roubou
meus perfumes? Quem me roubou Syssel? Tenho-te sempre, mesmo que estejas, Ofélia, vagando por Elsinore, e algo podre exista no
reino da Dinamarca. As mãos cruzadas. Gumi entre os dedos, borrachinha amarrando dinheiro. Hoje longe de teus olhos,
numa triste solidão, eu quero o verde, eu quero
paz, guardo comigo teu coração. Toma a
Saint Sulplice, passar pela Igreja. Quantas vezes ouviu aquele órgão?
Frei Teodoro, Mundacho Torto, números e solfejo. Cantor no coro. Sua missa,
o Gloria Et in terra pax hominibus bone
voluntatis, laudamus te, benedicimus te.Meu bom Sêneca, devo perdoar os que
me fizeram mal? Ser ou não ser. Que é mais nobre
para a alma: suportar os dardos e arremessos do fado sempre adverso, ou
armar-se contra um mar de desventuras e dar-lhes fim tentando resistir-lhes?
Derrotas tive, vitórias, tive. Vale viver. Em seu caminho para a faculdade.
Noite em Paris. Quartier Latin, bares e cafés.. Noites insones, manhãs
sonolentas. Rue d´Assas. Onde encontrará abrigo um dia chez Madame et Mlle,
Zurflux. Varrer a casa, limpar os móveis. Morrer de nojo vendo seu Kiki comer
do mesmo pão, beber do seu café na mesma xícara, amor aos animais, onde ficam os humanos? Será por isto, as guerras? Encontrará alguém para fazer esquecer as
primeiras flechas de Cupido? Ai, vida marvada. Encontraria Hator para descansar
sobre seu peito ou passaria a noite zanzando entra em beco e sai em beco,
sentindo o cheiro da diamba? Rua Bruno
Seabra, Liberdade de São Salvador da Bahia de Todos os Santos, Todos os Orixás
e Todos os Pecados o filho de Afrodite de múltiplos pais lança a flecha do encantamento. Correndo,
chorando para a rua do Céu, seu inferno. Infância. Nem mais pensar. Aurinha, Carminha e Mariá, Nem a dos sonhos, nem outras por onde vagueava seu coração vagabundo.
Agora é pra valer. Skrik na ponte do amor vermelho. Ela era pequena, mignon,
dizem os franceses. Minhom, se pronuncia. Cabelos curtos de um loiro que não era
amarelo. Não tinha os olhos verdes de
Quité, castanhos mesmo. Quase comuns, se não fora o amor que enxerga tudo colorido. Ai maravilha
como vou te chamar? Aimara te chamarei. Impossível ouvir Mercedes Sosa cantando
Violeta Parra e ficar calado, Aimara, me
leva pra ti, mi primeiro despertar.
Volver a los diecisiete después de vivir un
siglo
Es como
descifrar signos sin ser sabio competente.
El
amor es torbellino de pureza original
Hasta
el feroz animal susurra su dulce trino
Detiene
a los peregrinos, libera a los prisioneros
El
amor con sus esmeros al viejo lo vuelve niño
Y
al malo sólo el cariño lo vuelve puro y sincero
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
O CARNAVAL DOS SONHOS
JESUINO ANDRÉ DE OLIVEIRA
(João Pessoa, Paraiba)
Era uma manhã de sábado. Estava assistindo o Carnaval na tevê e atentava para a lembrança.
- Tá certo. Combinado! - respondeu o irmão mais novo, disposto a tudo.
- Ei você cabeludo e o outro aí, borá já pra saída! Pra fora!!! – gritou bem alto os brutamontes, rebocando pelo braço os irmãos constrangidos e decepcionados, levando-os até a rua.
Era uma manhã de sábado. Estava assistindo o Carnaval na tevê e atentava para a lembrança.
Para o pobre mortal
ela é conhecida como a “festa da carne”, mas não é tão simples assim. Vai muito
mais além, esbarrando nos desejos e sonhos que cada um de nós carrega ao longo
da vida. É um festejo marcante, principalmente na fase jovem de descobertas,
sempre alternada por momentos alegres e tristes.
Lembrei-me, por puro
saudosismo, que o Carnaval bom mesmo era de outrora. Em João Pessoa as boas
recordações fizeram-se nos clubes da cidade, eventos os quais não tive a
oportunidade de presenciar. O do Clube Cabo Branco tinha o mais prestigiado e
concorrido entre eles. Carregava a mística do status, da pujança e das
convenções sociais inacessíveis para a maioria da população. Um recanto
burguês, por isso mesmo deslumbrante aos olhos dos mais jovens. O Carnaval em
seus salões tingidos de vermelho e branco era o mais cobiçado e aguardado.
Para os
jovens irmãos Fernando e Paulo, esse fato ocorrido nos anos 80 ficou marcado
eternamente em suas memórias. Pela primeira vez foram convidados pelos pais do
amigo Felipe para a folia do Vermelho e Branco, mas esbarraram na
intransigência legal do clube que não permitia a entrada de não sócios, mesmo
sendo acompanhados pelos titulares. Lei é lei. Os dois rapazes ficaram
barrados, admirando de longe a festa agitada no salão com suas belas mulheres,
bebidas e boa música. Ali estava tudo que era desejado, mas seu acesso
impedido. Mas onde há vida, há esperança...
Os dois
ficaram na porta de entrada observando o momento único de agir, de não deixar
escapar a festa – suborno nem pensar, mesmo porque não havia um caraminguá sequer
nos bolsos deles.
- Paulo,
ficaremos de olho no porteiro e quando ele vacilar na vigilância, nós pulamos o muro ali na parte mais escura – arquitetou Fernando na única possibilidade de
participar do festejo.
- Tá certo. Combinado! - respondeu o irmão mais novo, disposto a tudo.
Não
poderiam ficar de fora. Por sinal, eles não eram os únicos, havia outros na
mesma situação. Já passava das onze horas e o tempo não apelava, corria fácil
deixando à margem o momento oportuno. E ele veio! No instante em que o porteiro
saiu para beber água, ou algo parecido, os dois pularam o muro alto dando um
bote preciso como felinos. Transportaram a barreira, peitaram a exclusão
burguesa e os seus códigos injustos. Nada os impediria de sonhar.
Mal posto
os pés no outro lado, os dois caminharam em direção ao salão e quando eles
estavam bem próximo, o famigerado porteiro avistou e avisou aos seguranças
sobre os penetras.
- Ei você cabeludo e o outro aí, borá já pra saída! Pra fora!!! – gritou bem alto os brutamontes, rebocando pelo braço os irmãos constrangidos e decepcionados, levando-os até a rua.
Chamando
a atenção pelo flagra, a portaria juntou gente. A frustração e a vergonha foram
parceiros nesta derrota. De passagem os foliões ficaram olhando curiosamente
para o acontecido. Mais ainda sob o olhar debochado de Felipe, que de longe
apontava e gargalhava para a miséria dos amigos.
Ali,
agora, morria a folia, entristecendo pierrôs e colombinas. Restaram aos irmãos
a máscara desconsolada da madrugada ao descerem a Avenida Epitácio Pessoa em
direção ao mar. A rua estava escura, deserta e uma brisa constante, batia forte
e fria. Tiveram como consolo a trilha sonora do acanhado muxoxo de um casal de
corujas, escondido numa árvore, as únicas testemunhas da solitária caminhada
dos irmãos. Restou apenas o gosto amargo da decepção e o sonho desfeito pelo
destino.
Evoé, evoé Carnaval, abram alas que eu quero passar...
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