domingo, 8 de janeiro de 2023




   


                                             Estou na Praça da Piedade, não Praça do Campo Grande, mas já é o Jardin de Luxembourg que fica bem  atrás da rue du Quatre Vents, onde morava. De repente, me vejo nu, mas parece que as pessoas não me veem nu, mesmo assim morro de vergonha, nunca sei se estão me olhando, se estão vendo e isto me angustia. Quisera ter certeza de que ninguem está me olhando e me vendo. Como saber? A sensação é de estar num panóptico e que todos me veem. Tento colocar algo sobre mim, um manto, qualquer coisa que cubra pelo menos as partes intimas. Mas, quem disse, Mancambira, vejo-me, novamente nu. no meio da multidão, que parece nem estar aí para minha nudez. Poderia perguntar, se coragem tivesse, olá, gente, vocês estão me vendo despido? Quem teria coragem? Ser descoberto, perseguido, linchado, serviciado e até morto! Se pelo pelo menos gritassem comunista, vai pra Cuba! Não, querem matar. Feliz de quem vai preso. Não sou mulher, esta pode até violar e acusar violação? Ela que se cobre, apenas com  um retalho, está querendo dizer o que? Me mate? Me diz, Zé Mancambira!

sábado, 31 de dezembro de 2022

BENTO XVI







                                       Eu num disse, inda bem não se enterra um, outro já vem e nós nem sabe por quem chorar. O outro papa, o que ficou vivo, pedia há pouco orações por este, o morrido, como se não acreditasse no taco dele, pois, se nem ele, que é papa, não conseguia salvar o Benedito moribundo, como nós, comedores de farinha mole e pão  azedo, iríamos evitar que  o Ratizingue batesse  a cassuleta? Diga lá, Mancambira?

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

PELÉ

 





                                     Por quê não nos acostumamos com a morte, se ela é a unica coisa certa nêste mundacho torto de meu Deus? Pois é. Eu, Mancambira, posso te afirmar que já estou me acostumando com a danada. Ela não faz mal a ninguém, porque quando ela chega, já sentimos mais nada, pode-se até dizer que ela é um personagem benéfico que nos tira do sofrimento, quando não aguentamos mais. ouvi muita falar, como um prenuncio, não aguento mais, e em seguida, morrer. A morte é a coisa mais banal que o homem inventou. E foi o homem quem inventou a morte? E não foi não? Se não foi ele, quem mais teria sido? Se não fosse ele, para que túmulos tão suntuosos? Mas, ainda assim, banal a morte, porque, nem mesmo acaba um de morrer que outro já vem se intrometendo na morte do outro, deixando-nos confusos, sem saber por quem chorar. Lemmbra-me o colega Afonso que se traja sempre de preto, porque já está pronto para todo e qualquer enterro. E para ele, pode-se afirmar, as exéquias são uma terapia, como dizia um outro, não quero nem  saber quem é o defunto eu só quero é chorar. Pessoas assim,  se existissem muitas, Freud, aquele sumitico do cu do mundo, morreria de fome. Aliás, minhas brigas com aquele sádico de Viena era sempre por sua sanha por dinheiro, dinheiro e fama que trazia dinheiro. Ele, Freud, ficava uma arara comigo, depois voltava às boas, dizendo sorrindo, que nós, adoradores do Filho de Pantera, sim, tínhamos vocação para esmoler, não ele, dizia, filho de Faraós. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

GKAY





         Ar muié, antigamente eram Vitalina, Carmosina, Venância e os apelidos também muito expressivos, eram Rola, Pombinha, Peixinha. mas quem quer, hoje, estes nomes, Dá? É, tomei um susto quando voltei à terrinha e, tentando retormar as raízes, disse querer e ver D. Rola. Fui imediatamente corrigido, D. Virgulina, você quer não é? Hoje é Géssica Kaiane, assim com cacófato e tudo e a pessoa mui orgulhosa do palavrão, ao ponto de lhe dar um apelido carinhoso. Queria dizer, não menos tenebroso, mas fica o carinhoso. E esta gente, de nome escatológico, vive a vida escatologicamente, aproveitando-se da redinco, que no dizer de Umberto Eco, deu voz aos parvos, quando não está ganhando dinheiro para alienar o zé povinho, se volta uns contra os outros numa latomia ensurdecedora que replicada aos centos pelo cordão de puxa-sacos, que eles, orgulhosamente, ostentam como seguidores fonte, aliás, aproveitando pelo capitalismo para incentivar o consumismo evender seus penduricalhos. E Agora, José Mancambira? Fazer o que? Quem o dono de meu ori? Eu quero que seja Oxosse, e não for? Vou-me consultar Juvenal.

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                    Nem te falo, Manca. Acordei, esta tarde, em lágrimas e molhado de suor. Tudo por causa de uma prima que não conhecia, neta de tia Benicia, que morava em Pintadas, e eu,  apesar de tão perto, nunca tinha ido. Assim que, para conhecê-la, mandei buscá-la. Veio.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

LUVA DE PEDREIRO

 




             


                                        O finado Quincas Barbosa também foi bom pedeiro, mas não usava luvas, nem jogava bola. Tinha uma vida mais modesta, tivesse enveredado pelos caminhos da bola, talvez não estvesse, hoje, amargando o esquecimento, pois, mais uma bola correndo no chão, que milhões de letras assentadas no papel. Tu não achas, Zé Mancambira?

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022