sexta-feira, 28 de abril de 2023
sábado, 22 de abril de 2023
Do outro lado da cerca, pelos espaços entre as flores curvas, eles estavam tacando. Quem, Faulkner? Quem estava tacando, Henrique? Do outro lado do Tanque Novo, sentados na encosta da trincheira, de terra preta, de forma que não nos vissem, com as calças baixadas até os joelhos, nós, em fileira, um ao lado do outro, também tacávamos. Tacando. Sem bandeira, nem bola, sem buraco nem taco.panoTu te lembras, Zé? Não, não te lembras, todos nós crianças, tu, homem já feito. Leonel sim, mais novo, nos dava as primeiras aulas. Um dia, foi com uma bezerra, mas a danada, muito arisca, não deixava. Ah dia! Ah vida! Barriga vazia, mulambos no corpo, mas livres, livres pra matar passarinho e comer, assado no espeto, livres pra jogar bola de pano, mesmo que o pai proibisse.
segunda-feira, 17 de abril de 2023
A TINA, OS TIGRES, OS BARRIS
Houve um tempo, Mancambira, que os tigres tinham pavor da tina. E tem tigre, no Brasil, Didi? Não, Neco, mas você poderia ter sido um. Eu, Didá, nem nunca vi. Nem no verá mais, espero. Tombém, nem sei o que é isto. Francamente, Didi, não vejo ligação entre Neco e um tigre. Aí é que tá, Mister Solano. Os negros, escravisados ou libertos, carregavam, nas tinas, os dejetos de seus senhores e despejavam na Baía de Guanabara. Em barris, se fazia na Bahia, jogando-os no Dique de Tororó, dai o nome Barris ao local onde deitavam os dejetos. História mal contada. Reis, rainhas, imperadores, condes, duques, barões, damas e mocinhas, janotas e poetas, santos e santas não cagavam, não peidavam, não cuspiam. Santo e santa também? Sim, Miliano, pois eram gente como nós. Até Santoe e Santas? Crendeuspadi! Fim de mundo, gente. E os tigres, Horus? Os carregadores, Seu Tunin, escorregavam-lhes pelo corpo, formando listas, as fezes. E por falar em fezes, os Estados Unidos espiavam o Antonio Guterres, secretário geral da ONU, imaginem o resto? É, doutor, uma coisa não se deve, o negar, o norte-americano ama sua terra, nós? O Brasil que se dane. Isto, têm de bom, os danados.
sexta-feira, 14 de abril de 2023
NATURA NOVUM ORGANON
A natureza não se vence se não quando se lhe obedece, ouviu, Zé Mancambira? Quem disse isto, Didi? Um maluco beleza, Francisco Bacon. Quem? Isto mesmo, não vou vou chamá-lo de Franscis, em compensação não vou traduzir seu sobrenome, pois Bacon é toucinho, senão muita gente vai querer fazer dele, torresmo, o pobre barriga. Foi no Novum Organon onde propõe um novo método para interpretação da natureza. Coitado do Boaventura os ventos da desventura correm soltos na secular Universidade de Coimbra. É, preciso, mestre, obedecer à natureza para vencê-la. Não desvie suas forças para combatê-la. Que a procela se despedace na rocha, se desmanche na areia. Bonaventura, a direita, aproveitando-se dos direitos conseguidos, com sangue, suor e lágrima, pela e esquerda, ingênua, e parte pra cima, usando contra a esquerda seus próprios argumentos e leis, atirando de volta as envenenadas flechas aperfeiçoadas há séculos. Pobre de nós, onde nós erramos?
segunda-feira, 10 de abril de 2023
PUERI HEBRAEORUM
Pueri hebrareorum Portantes ramos olivarum Obviaverunt Domino, Clamantes et dicentes Benedictus qui venit in nomine domini. Zé, tá dormindo, Zé? não Didi, Mancambira não dorme cochila. José Gonçalves de Almeida Barbosa do Carmo e Almeida Pacheco Maia de Oliveira, dorme, mas de um olho fechado, o outro aberto. Pois abre o para ouvir e os ouvidos. Qual a nova agora, Didá? Vem do Tibete. Do Tibete? Melhor dizendo de Sua Santidade Dalai Lama. Morreu? não homi, está vivinho da silva. E o que foi? pediu a uma briança que beijasse, chupasse sua lingua. Isto é mentira, o homem é santo! Santo? Imagina, se não fosse! Pois tem ´vídeo dele beijando a criança. A mídia caiu matando. Nojento, pedófilo, inapropriado dizem uns e outros. Nojento, por quê, Didi? Isto tambem é preconceito só porque tem 87 anos? Então se tivesse 27, podia? Lembro-me de Haroldo Pitágoras, no jovem tudo é lindo. Pobre de quem envelhece, tudo lhe é proibido. Mas o certo é que o veiote pôs a lingua pra fora, mama disse. Oh! mondo cane, por menos disto, na Iberia, levaram outro pras galés. Foi, rapaz? Isto porque é santo, imagina se não fosse? Imagina, digo eu, se fosse o outro, o Santíssimo Papa. Aí, a tampa de baixo colaria com a de riba. E o que dizer disto: Deixai vir a mim as criancinhas? Tem o mundo tara por imberbes pucelas? Blasfemo, íncubo de los infiernos, grita a turba, mais por invídia, cabelos de cobra, que por indignação. Louco mundo, né, Frei Teodoro? Mundacho torto, filho, mundacho torto. E agora é o pobre do Boaventura, como acreditar? Vamos ouvir La Zenaida, Armando Hernandez? Loco, mondo.
domingo, 9 de abril de 2023
Shaquira chacoalha a Lança, enquanto Clara chia sob os lençois na guardiola. Tempo, Tempo, c´est la vie, mes enfants. Quem te pode maîtriser? Gracias a la vida que me há dado tanto, como podes reclamar? La vida segue, meus pequenos. Vês o outro? Enjaulado por uma pística. E são tantas e tantas e de ninguém e de ninguém. Oh! mundo torto, sem porteira! Vai caminhante, camina sem eira, nem beira, o mundo todo teu e de ninguém. Priquitos valem, valem tanto que se traficam. Os mesmos de sempre, os filhos de. De ninguém!
segunda-feira, 27 de março de 2023
Vida, la vie, vid, vita, viață, bizitza, buhay na buhay, bula,. dzive, hayat, hidup, jeta, élet, Leben. Lewe, leven, life, lif, liv, lívið, kehidupan, nzaki, Ћivot, życie, kuxtal, olaga, saol, život, Žiwjenje, ζωή, ou como você quiser dizer, falar, chamar, expressar é uma complicação, e tu não entenderá jamais, pois desde que o mundo é mundo o homem não conseguiu defini-la, nem compreendê-la. Vocês personagens reclaam de mim que os ponho numa situação totalmente fora da realidade tornando a tarefa de vocês muito dificil, mas o que se vê, é que nem de longe a ficção se assemelha à vida. Vês o Filomeno? O que lhe aconteceu? Nem te conto, que o diga, se lhe apetecer, saia o verbo de sua boca, não pensem, vocês, levianos que sois, seja um aldrabão, eu.. Ôpa, se levianos, herdamos de quem nos pariu, você. Cala-te, Antõe, falo, eu. Faziam isto os Deuses do Olimpio. Oh, faziam, mas, deuses, em toda crença tudo podem. A nós a obediência, a submissão, os louvores ou o fogo eterno. Blasfemia se igualar aos deuses. Intocáveis, ninguém os vê. Só com olhos da fé, assim o criamos, quem não tem fé. A infinitude, a onipotência, a onipreseça, a imortalidade, a eternidade.´É fé. Sim porque, estando ele, ou ela, ou eles, ou elas onde quer que estejamos tambem estarão eles. Espinosa, o judeu abominado, excomungado e esfaqueado pelos seus, disse não haver fora, que o tudo não admite o fora, o tudo é o tudo, não há lugar fora do tudo. La vie, quem te compreende?