quinta-feira, 25 de julho de 2019













                                Eu, plácido, quem me diz que não? Oh, Shitala Mata, quo usque tandem? Acá me recolho e guardo silêncio. Aquele, d´ormertá, quase. Por quê? vivemos tempos estranhos, estranhíssimos. Hoje você fala e fica à mercê da barbárie, que cada um dá o significado que bem quer, e, quando se dá conta, está no meio de uma tormenta e até respondendo a processo. Tempos estranhos, alguém mostra a bunda, dizes algo, esqueces e um dia recebes uma noticia pelo oficial de justiça. Alguém que quer tirar dinheiro de ti. Valha-me, Deus-Menino de Tranças da Flor de Lótus, não permitais abrir mi boca e ser condenado ao escárnio dos tempos de agora. Do croá traço um´ imbira, com ela amarro a boca, com´ Ulisse, ao mastro, pelo canto das sereias. Digo que tenho medo e que não o há-de ter?

quinta-feira, 6 de junho de 2019











                                                       Ele me virou e cometeu o ato. Pedi para ele parar, ele continuou.
                                 Fui para o hotel, ele mandou mensagem, ia para uma festa, mas passaria lá para me dar um beijo. Quando chegou lá,  estava tudo bem, mas ele estava agressivo, totalmente diferente do cara que eu conheci nas mensagens. 
                                      Você sabe o que  fez. Meu primeiro advogado, disse que eu queria inicialmente processá-lo por agressão e não estupro. Oh, mundo que imundo tu és! E eu estou em ti, sem poder fugir, porque fugir de ti é a morte e eu não quero morrer, viver eu quero, aproveitar de ti como outros o fazem. Não? Não posso? Por quê? Existem escolhidos? Quem os escolheu? Me dá esta dica, quero saber quem escolhe. Quero ser escolhida. 

quarta-feira, 22 de maio de 2019

O CASÓRIO














                                Quero pedir minhas escusas por não ter ido ao casamento de meus amigos Carlinhos Maia e Lucas Guimarães. É que, meu piloto ficou doente, e, com estes tempos duvidosos, não tenho coragem de voar com qualquer outro. Anos de convivência nos tornam confiantes e medrosos ao  mesmo tempo. Declinei  de outros compromissos, inclusive, um debate com Aurélien Barrau, para ir a tão badalado casamento e, ecce que, me vi impedido. Não faz mal. Ponho-me, embora sem muita convicção, a pensar como meu Papai Nezinho, meu avô, corroborado pelo outro, Leôncio: Deus escreve certo com linhas tortas. Nunca se sabe o que poderia ter acontecido. As forças ocultas de Jânio nunca devem ser menosprezadas. Depois, me poupei dos chatos. Nestas cerimonias sempre há pessoas, chatas, inconvenientes, lacradoras. Querem tomar para si o protagonismo de qualquer jeito. É o caso do beijo. muitos se disseram decepcionados por não terem visto o tradicional beijo de casamento ou como esta idiotice de querer saber o porquê da avô de Lucas não estar presente. Medium, medium, humanus medium. Até a barba do Carlinhos incomodou. Muitos queriam o porquê. E esta briga com Whindersson Nunes porque se recusou a ser padrinho de casamento? As preocupações, meu deus, agora, sou eu, a perguntar. Por  quê? Bem, não ter ido, não me escusa de mandar o presente. Aposto, muitos vão me perguntar qual o presente. Claro não foram alianças, presente do Tirulipa. Não direi. Se quiserem perguntem a eles. Agora quero paz para jogar meu xadrez e me preparar para o debate agendado com Michel Onfray. Aquele com Aurélien foi adiado sine diae. Imaginem, tem gente me perguntando como eu consigo me concentrar para estudar. Ora, gente, eu estou muito tranquilo e feliz. Hoje, em meu país, reina a tranquilidade. Não preciso me preocupar com nada, nem mesmo com meu pinto, porque temos um presidente que se preocupa até com nossos pintos. É a sagração. Imaginem, você está com um problema no pinto, bate um fio, ou manda um tuíte pra o presidente e na mesma hora ele vem cuidar de nosso pinto. Presidente como este não existe em lugar nenhum. E não é só isto. Adeus invasão de terras, nosso querido presidente autorizou. Entrou em sua terra, pá, pá, pá e pronto. Tá uma maravilha. Quando vou à roça, durmo até com as portas abertas.

quarta-feira, 15 de maio de 2019












                      
                                    
                                 Rapaz, é duro. O que, cara? Esquece moço, não posso revelar o que  me passa pela cabeça. Basta o que já sofri nos anos pós  64. Você não disse que foi pra França e lá ficou numa boa? Que boa rapaz, você já viu exilado algum viver numa boa onde quer que seja? A gente fica numa boa em nossa terra, mesmo comendo o pão que o diabo amassou, desculpa o lugar comum. Eu até prefiro que você fale assim. Não gosto de sua mania de intelectual, falando uma língua que ninguém entende.  Hahaha.

segunda-feira, 6 de maio de 2019




                                               

                                       

                          Mil novecentos e cinquenta e seis, Salvador, onze e meia, mais ou menos, Fazenda Grande do Retiro, Nó-de-Pau, Ladeira do Calafate, Avenida Dona Judite. Quem diria! Capriccio Espagnol, Rimskij Korsakov, irrompe a Alborada com os floreios das clarinetas, Na Polícia e nas Ruas anunciava o locutor, cujo nome não me recordo. Era na Rádio Sociedade, na Cultura ou na Excelsior?  Ele dizia bem claro, à maneira como todos fazem uma locução, todo empolado. O Capriccio ia à surdina. apenas um pano de fundo. O locutor ia narrando os fatos, sem nunca ofender o delinquente.Que coisa, hoje o delinquente é menos que farrapo humano. O tempora! O mores!

domingo, 28 de abril de 2019













                       

                                                    Aquela noite. Mágica, aquela noite, cinquenta e cinco. Até que o frio não estava tão frio. Quantos sonhos! Tinha dito à turma, mostrando uma imagem de uma cidade qualquer no livro de geografia. Vou conhecer isto aí tudo. Um livro estendido à minha frente. Aberto e pronto para ser devorado. Lá em Capela não havia quadrinhos. Os livros, letras e fotografias do mundo.

quinta-feira, 25 de abril de 2019











                      





                                                    Rue de Grenelle, Mario, o angolano, comendo Françoise, eu escrevendo um poema. Algum mal nisto? E Sá Brito? Quando acordou,  sua pia, toda cagada. Você que fez isto, carioca?  Sim. Não dizem que o francês mija na pia? Eu, como bom brasileiro, caguei. Parece piada, não é? Bom violão, melhor cagaião. Mhami, o argelino do restaurante da Alliance Française, tornou-se meu inimigo, brincando, pus carne de porco em seu prato. Que Deus é este que te fecha o céu por um naco de porco? Monsieur Pisani não encontrou nenhuma reticência em mim. A sorte foi o vigia. Non, non, Monsieur Pisani, Sempre antes de sair ele fica um tempo conversando comigo. Foi depois que ele saiu. Há gente, diz Drummond, nasce para ser gauche na vida. Como Jorge, a vida por por 180 reais. Um tiro ao tirar plantão de colega, em assalto no Village Mall, shopping onde se vende uma bolsa por 25 mil reais. Seria eu, também um deles? O arrombador quebrou armários, mas só levou besteiras dos empregados do restuarante.