quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

FREDIE MERCURY, ALIÁS, FARROKH BULSARA

                                         











                               
                                 Cabula, no quicongo, lugar de afastamento dos males, local onde se jogam os males. Encabular-se, encher-se de males, ou pensar que o está. Pode-se encabular por razões varias ou nenhuma, aparentemente. Assim, amanheci, sem qualquer razão, aparente. Toca o interfone, encomenda na portaria Buscam-na. Volumoso embrulho, mas leve. Vejo o remetente. Abro-o, sofregamente, rindo. Que louco. Para você, Didi,  pôr entre as pernas,  já que nada tens entre elas. Um gozador, o Faruque de Zanzibar. Vasco da Gama, o primeiro em tua terra, sabia?  Ah, sim? Não sabia. Um travesseiro, algodão egípcio, entre pernas, amenizar coluna. Aí, não mais troça, generoso. Males da capoeira, dança, esportes. Me quer dançando um espetáculo, tocando berimbau. Digo que não, diz que sim. Estudar como, tem de acontecer, diz. Intimidado, voz e energia. Intimidam. Ri, a boca cheia de dentes. Tu, incomum.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019














                                    Ball cat não é o que você está pensando, Aloisio, é exatamente uma bola e um gato. Quando você vendeu a terra de Urbino para o Arlindo você não veio com gracinha.  Foi de verdade mesmo. Espalhou o fake. Urbino perdeu. Este, coitado, apavorado, vendeu, fiado a fazenda. Enxovalhado com o boato. Quem iria me confiar uma questão? Duro o mundo. E acreditar que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus. Os gregos estavam mais certo, os deuses eram feitos à imagens e semelhança dos homens.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

















                                         Dina, de ponta cabeça, n´estreita cama,  seize rue d´Assas, reclama dos flatos. Dormindo, acordam-se os esfíncteres e salve-se quem puder. Jussieu, querendo cem homens com metralhadoras, derrubar a ditadura. O louco do Sertão do Cariri. Caneta, nem pensar, nem mesmo azul. Os pais, um padre e uma freira, revoltados com ou sem porquês. O saber incomoda os grandes e atormenta os pequenos, diziam, vivendo o mundo das trevas, no seu lugar, aos filhos davam, quinze, parece,  tudo para ocupar as mãos, enxadas, facões e foices. Ou um instrumento musical, amainar o calor da noite. O som d´orquestra invadia o Quiriri silencioso,  a mãe toca piano, ele marcava o tempo num pandeiro ou violão. Onde te escondes, se nem nas redes andas? Como será nome no feicebuque? E no tuíte? ah, não tens? E Instagrão? Aparece, rapaz!

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

             











                                               
                                             Ount grr Kibera zip opa vasco Cinderela Hamlet se encontra com Cinderela no Kibera. Logo marcaram uma viagem a Phnon Pen, a Panomping dos romanos. Var buriti Lena Soderberg Dhafer Youssef poranga piranga guarapiranga ude domani eu voui Lina Vanessa Medina Vásquez pariu seu pequeno Gerardo com exatamente cinco anos sete meses e vinte dias no dia quatorze de maio de mil novecentos e trinta e nove quem te fez tanto mal minha bambina? Quem, o pai de teu Gerardo? mondo, il mondo, imundo. Dimenticar, tirar da mente, te faz bem. Faz-te bem minha sorela. Via-se parte do seio por uma fresta na blusa rosa. Um chapéu negro, mais uma touca, coberta por uma rede de fios negros finíssimos. Olhos claros, diria, amarelos, nuncavistos. Fitavam o infinito. Nus, nuca e espaldas.  Dhafer Youssef, seu alaúde embalando a noite. Mundo, oh mundão quão dessemelhante e no entanto igual.

domingo, 24 de novembro de 2019

FLAMENGO ATÉ MORRER











                                     
                                       Uma vez flamengo, flamengo até morrer! de fome, só se for. Lá vem o do contra. Hay gobierno nesta tierra? Soy contra. O cara é contra tudo. Gente, vamos cantar, beber, comer, chorar. Alegria, Alegria. Idolatrar time de futebol é permitir, calado,  que te deem uma dose de cocaína. Antes, Igreja, distraimento, agora. Manter o jugo, sempre haverá como. Sofisticação, crescente. Saídos das favelas, jogadores contra favelados, jogam. Por quê   silenciar? Aceitar biscoitos? E o circo que nos dão? Pão, pão, circo, circo. Não só de pão vive o homem.

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

GUGU
















                                           Desce daí, Guga, que tu não é mais menino para andar numa altura desta. Que nada, rapaz, vaso ruim não quebra. Moço, não brinque com a sorte, e se o vaso for bom? Ai, ele quebra e é sinal de que sou um cara bom. Eu sendo você, não me aventuraria a andar numa altura desta. Vai que dar uma tontura, uma escorrega e aí? Tu medroso mesmo, eu me sinto como um garoto de 20 anos. Sentir é uma coisa e ser é outra. A cabeça pede, mas o corpo não ajuda. Eu duvido que você fizesse isto no Brasil. Mas lá não precisa, lá gente pra tudo e depois eu preciso exercitar o corpo. Exercitar, sim, não, arriscando a vida. Se tiver de morrer, plaboy, até numa cama se morre. Não dê chances ao azar, Guga. Que azar, árabe fatalista. Depois não diga que Santo Antonio lhe enganou. Eita sujeito supersticioso e é materialista! Bom, vou preparar um drinque, desça logo daí. O que você quer beber? Caipirinha de Cabeceira do Rio, a de Utinga, que você trouxe, seu nojento, só falta um pouquinho. Tu, pirralho já subiu em pau? Já roubou goiabas no quintal de Rosalina? Nunca me esqueço, Vade de Piroquinha, o manguá comendo e ele se cagando. Tome-lhe reio.  Que história, subir em pau. Isto só vocês, do interior. E de goiabeira, é com  Damares. Quem subiu, mesmo, no pau da goiabeira? Foi ela ou  Jesus? Ha, há, há. Vai fazer logo este drinque, quero tomar aqui em cima, está até distraído. Não, se for pra tomar aí em cima, não faço, desça logo, ou eu não faço. Tá bom, tá bom, medroso. Desce daí, a caipirinha tá um ouro. Quando acabar aqui, vou cair matando. Trouxe também uns mocós, para tira-gosto. Nunca ouvi falar. É um roedor silvestre, mas eu crio lá na roça. É super gostoso. E o IBAMA permite? Sim, com licença. Acho que a única maneira de preservar os animais é domesticá-los. Fora disto, será a destruição total. Me dá uma lasquinha dele aí, experimentar. Bicho, que delícia. Desce e vem comer mocopinga. Põe aí uma daquelas chulas do sertão. Quero ouvir daqui. Aaaaiii. O que foi rapaz? Corre Rose o gugu caiu lá de cima. 

terça-feira, 19 de novembro de 2019










                                          Oh! bendito o que semeia
                              Livros, livros a mancheia
                              E manda o povo pensar...
                              Vozes gemem na praça.
                              Gazes, Pachamama chora, 
                              Cegam seus filhos.
                              Jallalla, jallalla.