quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

MENAS VERDADE





                                             Ô mana, deix´ eu ir, ô mana eu vou só, ô mana deix´ eu ir, pr´o sertão do Caicó. Eu vou cantando com a aliança no dedo, eu aqui só tenho do mestre Zé Mariano.

                                             T´esconjuro, t´esconjuro, mil vezes, t´esconjuro. Zé Mancambira tá jururu, hoje. O que foi Zé, que tu tanto esconjura? 

                                Um roubo, um roubo, agora se rouba tudo, tudo. De que tu tá falando? Da cantiga de Caícó. Eu era minino e meu avô cantava e tocava na viola. Não, tem que ter mão nisto! E vai-se fazer o que Mancabira? Processar, fazer pagar os direitos dele. Pagar a quem Zé, se não se sabe quem inventou inventou a cantiga? Ao povo, o povo que inventou é que deve ganhar, não estes mauricinhos metidos a compositor. Você tem de processar, você tem de processar. Zé, não há como, Zé. Não sei, há de haver um jeito. Estude pra descobrir. Bela incumbência, você me dá. Não sei, só sei que tem de haver um jeito. 

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020








                                 E os peixes nadam nas águas, doces e com sal, da forma que vieram ao mundo, e assim, vêm para teus pratos e tu os come, sem reclamar de despudor. Não é assim, señor Pound?

domingo, 20 de dezembro de 2020

 







                                    Carambolé, um cabuletê, coitado, na cabeça um pote, água sua merce.  Tonga mironga canço de cafuné do canso. Afogar o ganso, pode? Chama a sociedade protetora dos animais. Matar o bichinho afogado.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020







                  O choro não é livre, ele vem, sem a gente pedir, na tristeza ou na alegria, não é Mirtes? Quero chorar não tenho lágrimas. A lágrima sentida é o retato de uma dor, verdade, esquecido Milton Oliveira? Não tinhas lágrimas, mas querias chorar?

domingo, 13 de dezembro de 2020








                Em verdade, em verdade amigo. eles não querem te prender, eles querem te matar. Esta é uma nova técnica de tortura, muito mais eficaz, mais psicológica do que física e por parência legal, não é percebida. Poucos, pouquissímos percebem, acho que nem mesmo tu, percebeste, tanto que ficaste, supreso quando te falei. Não é verdade? Tua vida foi toda mais ou menos isto. Olhe para trás e verás.


                     


                       

 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

 






                                        

                                    Não sei se há igual. Você acredita, Claudio, que haja? É tanta leveza naqueles dedos, tão simpáticos aquele sorriso, com cebeça ligeiramente inclinada e jogada pra trás, é tão suave o som que sai de seu acordeão que as pessoas não poupam adjetivos para ela. Ah, você fala de Ksenija Sidorova? Sim, Claudio, de quem mais poderia ser? Sei lá, são tantos os deuses produzidos no mundo que nem se sabe a quem adorar. Deuses não faltam para serem venerados, quando se esquece de um, outros aparecem e passamos a venerar até cansar e cair de moda. O homem se cansa fácil, se não fosse assim seria muito tedioso. Verdade. Vejo uma mulher morena, de traços que lembram a Iracema de José de Alencar trajando roupas finas de dormir e me apaixono e passo chamá-la deusa e passo a vê-la em sonhos e passo a ter ciúmes e passo a proibir de olharem-na e passo no passeio e passo no paço e passo sobre o passo e volto no passo e passo e repasso, me perco no passo do paço.  

quarta-feira, 9 de dezembro de 2020









                             Aqui de meu donjom, vejo a terra lá embaixo, cervos pastam na pradaria, se viro a nuca, vejo o curral do garapa como se estivesse um andar acima. É lá que se enterram os mortos porque o massapê, duro, não facilita cavar a cova e quem morrem tem pressa entrenós, juas, certre, encore, vier, aser, soem. lafe, nema, doe, quic. quain, oemde,