Não há como se acreditar em tentativa de assassinato, se se mata a maior prova, o atirador. Estás de acordo Zé Mancambira? Totalmente, este é quase perfeito, ao menos no sangue.
Voda, em casa, Ponto da Mangueira, entrava pela frente e saía pelo fundo; parte da noite, tirar água. Úmidas as camas, molhadas sufoco pra dormir. Tõen. Tchibasa, parece que o tiro foi mais perfeito que a facada. Ah! lá não esqueceram do sangue! Anadh Ambani como um pinguim anda, quem não o inveja, mesmo sem pernas para andar, com dinheiro pra dar? O touro livra-se da canga e sai derrubando a todos que se sentem honrados em serem pisoteados. Cão! Após tanta festança, será que Anant terá alguma sustança? Coitadinha, tão bonitinha! Elas têm de parir, parir e parir onde estejam. Filhos pra maluta. Eles não fazem filhos, traficam-nos. Que emudecem sirenas; que emudeçam sirenas. Hoje, é pau, é pedra, é sangue, é terra. Disseram para levantar os calcanhares, como recusasse, eles apontaram as armas para minhas genitálias. Então, levantei os calcanhares e eles batiam com cassetetes. C’est la guerre mon pétit. A negra é outra que vai trair a raça, as origens. Não é o homem, é o todo. Fazer um espetáculo para as crianças, não sei. Diamba, és tu a amiga de Isabel Veloso? U’a mão só não bate palmas. As minhas para vocês. Linfoma, por quê o ter? Não, Compre uma criança para deixar sua herança. 13 fatalmilias mandam, urbe et orbe, e, você, almarque, falando em democracia, liberdade e outras futricas. Cheap meat! Para bater palmas. No, Carolina, eu não bato palmas; podia sim, bater, já apanhado. E daí? Não anula macaquices.
O Adélio, turma, como disse pra, Mancambira, antes e repito agora, foi condenado a uma pena inexistente no Brasil. A prisão perpétua com incomunicabilidade, a perda da fala. Muitos vão dizer e vocês, inclusive, desumana a prisão perpétua, a mais terrível. E eu digo não. Nada pior que a perda da fala. Nem pio, pode dar. Aniquilação do indivíduo. Impotente. Mas se por um milagre, e, milagres acontecem, um bom advogado conseguisse, sabe lá Deus como, reverter seu direito à fala, ainda assim, a condenação persistiria, porque ele foi, também, condenado à loucura; dito por sentença que ele é eternamente louco, e, mesmo se quisesse falar, ninguém lhe daria crédito. Quem iria acreditar num caba com loucura decretada por juiz? Ocês inda acreditam em democracia? Lá em riba, pelo menos não esqueceram do sangue!
Que pena! Zé Mancambira, contracenei com o Lula, no Meteorango Kid e hoje tou sabendo de sua morte. Foi na escadaria da Faculdade de Direito, já te falei dele antes, não falei? Sim do filme. Tempos loucos. Eu descendo a escada e ele subindo. A gente fazia um sacrifício para aparecer numa cena que depois, dependendo da montagem nem aparecia. Nem vou dizer aquelas manjadas palavras que se repetem a cada dia morre um, porque, como você sabe, e, tenho discutido entre a gente, a morte, para mim, nunca foi descanso. Tampouco haja alguém para o receber “na sua glória”, cabendo-me a mim, nest’hora, meu caro Zé, tão somente, lamentar que, mais um, entre nós, tenha sido arrebatado, e, pesarosamente, se interrogar. Quem de nós, a natura, (não é assim, Espinosa?), vai levar na próxima vez? Não, não, caluda! Eu prefiro a incerteza da não sabença! Vai velha senhora, deixa-me jogar outras partidas de xadrez.
Zé, te digo, Zé, o honesto, hoje, é um candidato aa morte. Da, da, por assassinato ou suicídio, da, que dá no mesmo, senão pior, porque, onde o autor de teu suicídio?
Não vi, Zé, até hoje, um suicidado, vingado. Da maneira mais vil são morridos e quem te suicidou ri e até apresentar-se ao enterro, vai. E macar eu nam tenha morrido, tive por perto, se não fora a sorte ou covardia, que na hora agá eu me aputei, amarelei. E eu que não o fizesse, pois, nem os ossos estariam aqui nest’hora.
Tempos outros. Hoje, ou tu te achegas ou…
Nunca me esqueço, o cheque no bolso ou la morte, disse o magistrado, tremendo, mas segurando o seu. Assim, foi, Mancambira, assim é, assim será. Quem? Se houvesse já o teria parado. Nem igrejas, nem seus donos. Teatro, si, distrai. Entom, bom que haja egrejas u se possa esquecer dolor, queixume e pesadio. Qu’eu finja esquecimento, mas não me sai do pensamento o fado que tiveram colegas, amigos, irmãos meus, no coração e nas ações, por defenderem o menor contra o maior e não serem vingados por um Estado que se diz de todos e iguais. Tu, Eugênio Alberto Lira, tu, Hélio Pombo Hilarião não vistes os algozes seus, julgados e apenados pelo Estado que vos prometera garantias pelo exercício da custódia da lei. Em vão, Mancambira, derramaram o sangue, seus, no deserto, no sertão. As engrenagens do poder. Ele, Mancambira, não nos quer ver alegres. O riso é afronta, a tristeza, submissão, não é assim, Deleuze?
Onde tua espite, Adélio? Hum! Não dirás. Proíbem-te. Oh, Senhor joga paciência em meu coração! Oh! Bendito sol, deveria eu, tal como fizeram os cearenses, na Praça do Ferreira, vaiar-te, por terem-me negado a luz de teus cálidos raios? Não foste tu o autor deste enredo. À aqueles que me enredaram nesta roda a minha eterna abominação.