segunda-feira, 6 de maio de 2019




                                               

                                       

                          Mil novecentos e cinquenta e seis, Salvador, onze e meia, mais ou menos, Fazenda Grande do Retiro, Nó-de-Pau, Ladeira do Calafate, Avenida Dona Judite. Quem diria! Capriccio Espagnol, Rimskij Korsakov, irrompe a Alborada com os floreios das clarinetas, Na Polícia e nas Ruas anunciava o locutor, cujo nome não me recordo. Era na Rádio Sociedade, na Cultura ou na Excelsior?  Ele dizia bem claro, à maneira como todos fazem uma locução, todo empolado. O Capriccio ia à surdina. apenas um pano de fundo. O locutor ia narrando os fatos, sem nunca ofender o delinquente.Que coisa, hoje o delinquente é menos que farrapo humano. O tempora! O mores!

domingo, 28 de abril de 2019













                       

                                                    Aquela noite. Mágica, aquela noite, cinquenta e cinco. Até que o frio não estava tão frio. Quantos sonhos! Tinha dito à turma, mostrando uma imagem de uma cidade qualquer no livro de geografia. Vou conhecer isto aí tudo. Um livro estendido à minha frente. Aberto e pronto para ser devorado. Lá em Capela não havia quadrinhos. Os livros, letras e fotografias do mundo.

quinta-feira, 25 de abril de 2019











                      





                                                    Rue de Grenelle, Mario, o angolano, comendo Françoise, eu escrevendo um poema. Algum mal nisto? E Sá Brito? Quando acordou,  sua pia, toda cagada. Você que fez isto, carioca?  Sim. Não dizem que o francês mija na pia? Eu, como bom brasileiro, caguei. Parece piada, não é? Bom violão, melhor cagaião. Mhami, o argelino do restaurante da Alliance Française, tornou-se meu inimigo, brincando, pus carne de porco em seu prato. Que Deus é este que te fecha o céu por um naco de porco? Monsieur Pisani não encontrou nenhuma reticência em mim. A sorte foi o vigia. Non, non, Monsieur Pisani, Sempre antes de sair ele fica um tempo conversando comigo. Foi depois que ele saiu. Há gente, diz Drummond, nasce para ser gauche na vida. Como Jorge, a vida por por 180 reais. Um tiro ao tirar plantão de colega, em assalto no Village Mall, shopping onde se vende uma bolsa por 25 mil reais. Seria eu, também um deles? O arrombador quebrou armários, mas só levou besteiras dos empregados do restuarante.

domingo, 21 de abril de 2019

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

https://twitter.com/Ruptly







                                                Sangue, eu via muito por todos os lados. Eu por sorte ou esperteza ou mesmo covardia, inda não tinha derramado uma gota. Eu detesto sangue, chego a desmaiar quando vou fazer exame. Mas infelizmente, é quase impossível uma vitória sem sangue. Quem tem não quer ceder. Quando vejo uma barriguinha, tão linda, com aquele tanquinho no umbiguinho. fico louco. Que tentação! Não posso entender como os meganhas têm coragem de bater em pessoas tão lindas. Vi pegarem uma, tão linda, os cabelos esvoaçam sob o sol mortiço. Torceram o braço, empurram-na por cima de troços, derrubaram-na montaram sobre ela e quando conseguiram  algemá-la, estava toda cagada e mijada. É muita loucura.  E o que você queria que eu fizesse?

segunda-feira, 15 de abril de 2019

NOTRE-DAME DE PARIS















                                           Agora  me retei mesmo. Quero saber quem botou fogo na minha Nôtre-Dame. Na sua Nôtre-Dame?  Agora ela é sua? Agora, não. Ela sempre foi minha. Quem leva turista para ela, todos os dias? Que a conhece mais do que eu, para informar ao visitante tudo o que acontece e acontece nela? Quero sim que me descubra que pôs fogo na minha joia. Quem chamem Sherlock Holmes, corram à Baker Street e o tragam nem seja amarrado e de charuto apagado, mas tragam, é urgente. Corram, corram, chamem todos os bombeiros do mundo, não a deixem queimar, é como queimar o mundo, corram. Rapaz, que agonia é esta, deixa que os homens estão cuidando, depois, o mundo não vai se acabar! Não? Não para você, insensível. Ela é minha vida. Não sabia que você fosse tão devoto dela. Devoto? Que devoto, rapaz? Tudo que tenho devo a ela. Você entende?
                              Gandra, onde estás agora? Tu te lembras? Rapaz, se isto aqui pegar fogo, não fica nada. Que nada, pá, aqui nunca pega fogo, é muito cuidado.
                                     Ginka, veja estas gárgulas, lindas e horríveis. Você tinha medo, mas era de mim. De Norteamérica, conhecer Paris. Todos querem conhecer Paris. Jean, onde estás Deglun? Estivemos aqui, vindo da Feijoada, lembra? Quantas pessoas morreram para construir isto aqui. Escravos. Quantos?  Gritos de dor.

quinta-feira, 4 de abril de 2019











         

                             
                                Eu sou tigrão! Eu sou mau-mau. Eu sou tigresa! ai que beleza. Tchutchuca, não, não, não, não. É a mãe, é avó, é mãe. Tchutchuca vai tchutchucar? Txucarramãe, txucarramãe. Sou guerreiro sem armas. Não me importa que a mula manque, eu quero é tchutchucar. Sai daí que a gente que calar boca dele. Foi na Taquara, na Estrada do Curumau, na Boiúna. Assim tá bom demais. E estão dizendo por aí, que ela foi garota de programa em Cuiabá. E quem não foi? Oitenta tiros, oitenta tiros e estão sa lamentando. atirem, atirem. Depois a gente vê. Ordem é ordem, se não cumprirem... Enquanto isso, um Hang de tal ganha 115 anos para pagar seu débito, melhor que isto só tchutchutcar. Socorro, Antõe Cego, Socorro Maria Milza, Santa Sertaneja, tu não curou Daniel Aleijado, cura nós agora. Ah, seca danada, naquele ano. O jeito era caçar mocó nos morros. E tem um cara aí que tem medo de filosofia. Socorro, Patativa do Assaré. Chamaram um outro para pedir apoio, pensando ser muita coisa, mas é caca mesmo. Chamaram-na também, mulher das pernas grandes, mas o célebro, oh, pequeninim! Antes tivesse ficado lá, nem que fosse, eternamente, lavando bosta de francês. Que agonia, me sinto como Vade, tirando tolocos. A Rosalina veia, tu eras o terror de Capela. Socorro, Dr. Baiúca, um salvo-conduto, eu te peço. 

quinta-feira, 21 de março de 2019

     










                                 Eu vi juro não sei se devo usar pontuação ou deixar que vocês leiam de acordo com a respiração de cada um para mim é claro, fica mais fácil não usar pontuação. Pouca gente sabe realmente usar pontuação, eu não tenho certeza que sei. Vamos lá, se der vontade eu pontuo se não vai assim mesmo. Eu rodas, rodas de ferro ou de madeira e as pessoas, muitas, muitas, andando sobre elas num equilíbrio todos dominavam a gravidade tinha pressa de chegar a cidade se tornara longe depois que resolvi cortar caminho era Salvador com certeza mas área rural uma planície extensa um milharal depois parecia batata pensava o tempo na besteira que fizera não fizera quando viu ela o estava sugando que fazer com o amigo (Interrogação) desceu as escadas correndo deixara o caminhão na da sua casa a dele não a minha carregado de laranja de laranja ou de goiaba (interroga) como podia saber (idem) tudo anda tão louco que não sabe mais o que se vê e o que se fala a escadaria não terminava mais não havia uma esquina para dobrar ele talvez o alcançasse a mim (interroga) se houve uma entrada aqui seria tão perto de casa ele nem iria desconfiar de nada mas que diria ele se o visse passar em abalada sem nem olhar para ele (interroga) acho que iria pensar hum este cara fez alguma coisa errada, passar em frente de casa e não entrar (interjeição) poderia ter dito que comprar gasolina como ia trazer na mão não nas bombas agora tem uns sacos plásticos quem bolou isto teve uma boa ideia porque muita gente descuidada ou casquinha anda com o carro na reserva e quando menos espera zipe vai embora a gasolina e o cara fica na mão também neste mundo novo que há muito deixou de  ser novo posto que tanto o bernard marx como o aldoux huxley estão mais velhos que os papiros do Egito e a esta altura caducando como estão procurando um filho de deus que lhes dê o golpe de misericórdia e não encontram porque as pessoas estão muito ocupadas no zape e redes sociais não podendo tirar um tempinho para mandar os suplicantes para a cidade de pé-junto mas queria falar o que há neste mundo já nem sei o que falar sim tem neste mundo tanta coisa nova que o novo pela manhã já é velho pela tarde tanto que nesta minha viagem para chegar em casa coisa que fazia normalmente em menos de quinze minutos a pé passei tantos dias andando de barco de roda de bicicleta de carro de ultima geração e a estradas tantas que me perdi na imensidão do mundo ora andando pelo ar ora andando pelo mar debaixo d´água sem necessidade de respirar ou não que já agora nem lembro como fazia se nadava se andava as outras pessoas que estavam comigo tinham o maior respeito por mim e eu não entendia porque todo aquele respeito e eu ficava desconfiado como o santo que vê a esmola grande. Havia uma meninada, uns pareciam indianos com aqueles dentes para frente, pareciam estarem eternamente a sorrir e falavam  puxando o erre parecia verem em cada um milhões deles e o falar se tornava bizarro com tanto erre havia uma mocinhas de uma beleza rústica, sempre solícitas e sorridentes quanto lamentava a idade porcaria inda têm a desfaçatez de chamarem de melhoridade eu vou dar uma chapuletada num canalha destes que falar em melhoridade na minha frente ora era só subindo ora descendo aquela zoada de ferro lubrificado todos se queixando da demora uns achando que tinham errado caminho quanto sofre o trabalhador para ir trabalhar uma senhora me disse levava quase três horas de percurso ida e volta numa cozinha mas que ela não era besta não todos os dias pegava alguma coisa  Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha, disse Confúcio ela nada entendeu que estava com os políticos a televisão tinha dito  era tudo ladrão ela acreditava  tinha gente que era pobre e ficou rico ela estava satisfeita porque pelo menos o chefe tava preso  estava gostando muito do novo  muito simpres assinava com caneta bique e não com uma de ouro como os outros e ia trabraiar até de chinelo outra disse sorrindo e divertida trabalhava num mercado e um dia pegaram ela com quilo de carne do sertão dentro da calcinha.