Tá todo mundo chateado porque, até agora, não havia falado nada do MC Gui. Como falar de tudo o que acontece neste mundo de meu Deus? Mondo cane, mundo imundo. Costinha Jururu, cuja língua, quando morrer, terá de ir em outro caixão, foi o primeiro a reclamar. Como tu deixa o cara zoar da menina? Câncer, acredita ele, ser imortal? Zé Manoel, que matava a contra-gosto, negros n´Angola: "Se encontrar este gajo, juro que lhe arranco a língua e o boné, nunca mais ele vai inticar uma criatura". Nem ligue, Gui, Zé Manoel, depois que veio d´África, não mata nem barata! Mandam-nos a matar àqueles gajos que nunca vimos, nem mal algum nos fez, gente que, se não fossem as balas, poderia até nos abraçar. Quem também ficou curiosa foi Nanã, queria a todo custo que se dissesse quem era este tal de Guigui, de quem nunca ouvira falar. Um trabalhão, o de explicar-lhe. Não, Nanã não é Guigui, nem Guigó é MCGui, Nanã. Pobre é que se apelida Guigui, Didi, Titi. Hoje, rico, ou quem se ache se chamar diferente. Antonio não é mais Tõe e muito menos, Totõe, agora é Tony. Ai de quem chamar um Pedro de Piroca. Palavrão dos grandes. Outro dia cheguei em Capela e falei eu quero ver D. Rola, quase apanhei pelo palavrão. Dona Rola era a respeitável senhora Dona Saturnina. Pois, me senti um lixo, Dona Rola, a de Saturno, nem se lembrava mais de mim. Decepção! Oh, mundo ingrato, o que tu fazes com teus filhos, Tempo, Tempo, tempo, tempos. Nem se precisa de guerras para apagar a memória dos que passaram. Tu, Mister Trombeta, ainda não és o dono do mundo, Gaza será. Tempo te dirá.
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
MENINOS, EU VI
Meninos, eu vi. Na catinga e favelas, guerreiros errantes, outrora pujantes do povo tupi, meninos eu vi.
No meio das tabas de amenos verdores
Cercadas de troncos - cobertos de flores
Alteiam-se os tetos d´altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes,
Assombram das m matas a imensa extensão.
Meninos, eu vi, Manoel Gomes surgir.
Meninos, eu vi, em terras d´Arariboia,
Vi guajarara sumir, é Paulino Guajarara.
Que o branco tirou daqui.
No meio das tabas de amenos verdores
Cercadas de troncos - cobertos de flores
Alteiam-se os tetos d´altiva nação;
São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
Temíveis na guerra, que em densas coortes,
Assombram das m matas a imensa extensão.
Meninos, eu vi, Manoel Gomes surgir.
Meninos, eu vi, em terras d´Arariboia,
Vi guajarara sumir, é Paulino Guajarara.
Que o branco tirou daqui.
sábado, 19 de outubro de 2019
LA SEINE SAIGNE
Tu não viste nada au mai 68. Não, tu nada viste em Paris. Estudantes n´avenida, obreiros, também pedras na mão. Tu não os viste. La Seine saigner, tu não viste. Tu não ouviste cantarem frente a frente a Internacional e a Marselhesa. Viste, tu, queimar aquela bangnole? E nos gritar a brasileira de selvagens? O Sena vai sangrar, o Sena vai sangrar. Que proferiu esta profecia? De Gaulle au poteau! De Gaulle au Poteau, gritava eu, gritava a turba. Ah, tu nada viste ainda, neste mundo.
quinta-feira, 17 de outubro de 2019
Ai mardito dia, quando poderia muito ver os olhos de Quité, muito mais interessantes que teus cabelos dourados e teu corpo pequenês que o amor não deixara enxergar. Longe, muito longe fui ver o corpo de Brigitte que Jean queria namorasse, no lugar de Normando. Mas, quem dedilha cordas tem vantagens sobre quem lava pratos mesmo sabendo que poderia ter pela frente mais futuro que um simples cantor e seu violão. Não me maldigo. A humanidade é assim. Já na Grécia enquanto filósofos e poetas viviam vida frugal os atletas tinham vida doce como o mel, graças ao ganho de prêmios e honrarias recebidas pelo resto da vida, alguns adorados como deuses. Não se diga, agora, estranhos os tempos, estes, desde sempre o foram.
terça-feira, 15 de outubro de 2019
kirimurê, eu sempre ia lá, nem sempre bebia os preços, proibitivos para estudantes, só quem estava fazendo sucesso como Caetano, Gil, Betânia e Gal paravam. Os baba-ovos, alguns mais endinheirados entravam, a patuleia fica de fora amontoados na ladeira da Gamboa, bebericando o sobejo dos drinques dos mais afortunados. Isto depois de ter paparicado um ingresso para uma peça de um global, ou o ballet do Senegal, com suas pretas palpitantes e elétricas. Ela um presente merecer um bon soir de alguma delas, em principio arredias, embora simpáticas. Sassá embê nuar moi deva ju diecui duar quoi faire saramaká astracã corredor polonês cabila
sábado, 28 de setembro de 2019
GRETA THUNBERG
Em andanças nesta plana terra, tive e, creio, ainda terei, muitas Gretas. Gretas ja, Thunberg, nej. Não de uma noite para um dia, de séculos de subserviência. Nej, nestas, não se lhes haviam diagnosticado nenhuma síndrome de Asperger, TDAH, autismo. mutismo ou qualquer outra arenga que a psico-medicina burguesa engendrou por enfeitar a vida de quem pode pagar por isto. Curtiam as deficiências na enxada, na catana, no pote d´água, no feixe de lenha e tantoutros afazeres nunca dantes por ti sonhados, minha menina. Oh, quão louco o mundo, cumari devi escolhida. Homem, canso, frágil, sem siso. Afanas o mundo, crias ilusões, atiras migalhas. Suave neném, tu sabes que os escravos dos teus, quando morriam, eram deixados aos cães e aves rapina? Não é verdade Ibn Fadlan? Ai, ai, vivi para ver. Menina e dois irmãos, sol a pino, estrada Itaberaba Iaçu, tapando buracos, por alguns trocados. Três chocolates. Nunca tinham comido. Oh, minha flica, tu não sabes de nada. Tu n´as rien vu a Hiroshima. Tu não sabes de nada, tjej. Muitas, doze anos, sem o que comer, já são mães; Tu não viste, embaixo da Eiffel, ser preso o praça norteamericano, por mijar no túmulo do soldado desconhecido. Jag ska tala om en sak. Fácil, muito fácil jogar pedras na lua, difícil, muito difícil, defender quem só pedras tem pra fazer guerra. Dificil, mycket svårt, defender quem só a vê a luz por uma greta. Quem gretado pela fome, longa e pesada larica, gretas de. Greta, tu não sabes o que é ter greta de larica.
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