Agora, sim, ele extrapolou. Onde já se viu publicar um poema de uma pessoa que nem personagem é? Acho que está na hora de chamar a todos os personagens à uma assembleia para decidir o que fazer com este traidor. Um autor não pode sair por aí jogando conversa fora, esquecendo seus personagens, afinal de contas nós somos a verdadeira razão da existência do romance, sem a nossa presença o autor pode chamar de tudo o seu escrito, menos de romance. Que ele não venha pra cá com esta conversa de nouveau roman, de que os personagens são secundários, de que a história não vale nada, de que o homem não é mais o centro do mundo, e todas as papagaiadas de Robbe-Grillet e seus seguidores, que eu perguntar a ele, para que serve esta porcaria de mundo se não for para a gente.
sábado, 16 de fevereiro de 2019
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019
Meu Porto é velho
Porque o trataram até ficar assim
Meu Porto é velho
Porque o abusaram até ficar assim
Meu porto é velho
Porque abraçou todo mundo que chegou
Mas não ficaram
E não ficam
Chegam bem da água
Cospem (n)as águas
O sentimento de pertence
Que não o pertence
De tantos imigrantes
Um ciclo exploratório
Seguido de outro
De ouro
De outro
Do outro...
Meu Porto Velho
É um Brasil
Dentro Brasil
Com exploradores
Importadores de outros estados
Que o dominam sem pertencer
Seus índios são eleitores saudáveis
Que em políticos médicos
E deixam seu povo doente
Meu porto não é tão velho assim
Mas basta! Basta de exploração!
Meu Porto? Reflexo do Brasil
Onde o povo começa habitar esgoto
Por causa de político escroto
Que ainda faz do país colônia
Meu porto, que no nome tem 'velho'
Ainda é novo, lhe permitam errar...
Tantos anos de in-de-pen-dên-ci-a
Sem a decência de lhe deixarem acertar?
Brasil dentro de Brasís
Que por falta de memória
Lhe roubaram a história
E faz do povo escambo
Ao invés de heroico
E o sol, que deveria de liberdade
Que deveria acordar
Parece cegar mais
Os que ainda dormecem
Mas tudo bem... Quem nunca falou mal?
Nascendo, crescendo, vivendo aqui?
Mas tudo bem, o patriotismo é mais bonito pra estrangeiro ver
Afinal, fomos criados com a ideia
De que o que é de fora vale mais
Mais bonito, mais bem feito
E satisfaz
Um dos motivos da luta
(E sim, ainda há resistência)
É dizer
Que mesmo não nascendo aqui
'Sou beiradeiro sim'
E que não o pertencer
Meu bem, é só ir embora
Porque um dia o rio chora
Mas no outro dia ele sorri...
LUCIANA REBOUÇAS
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
Rapaz, eu te disse, vai com cuidado, o Brasil é país povoado por pessoas que parecem gente, cagam,mijam, comem e bebem, mas tudo ao mesmo tempo. Te preveni, não preveni? Mas ainda assim, você cometeu um erro imperdoável. Vocês não têm um especialista em comunicação, não? Temos, mas onde erramos? Em verdade, eles foram até injustos com com você, se eles tivessem pensado um pouco, teriam percebido que você estava fazendo propaganda exatamente do cara que vocês acham que estão combatendo. Veja, Roger, quando você, para atacar alguém fala somente dele, sem mostrar o outro lado, e portanto sua preferência, você estará fazendo exatamente o contrário do que pretende. Você está fazendo propaganda do cara. Olha aí, um idiota anda dizendo por aí, que você é cafonérrimo. Pink Floyd, vocês representam o que de melhor se fazia em música naqueles tempos, a resistência é marca registrada de vocês, não ss pode jogar tudo isto fora. Acho até que você foi enganado pelos promotores do espetáculo. Eles poderiam ter dito que a plateia brasileira é elitista, de direita e até mesmo nazista. Só eles podem comprar um ingresso a turma de esquerda, se comprar um ingresso vai passar o resto do mês passando fome. Te jogaram no meio dos leões. Não é assim que se faz. Uma análise bem feita poderia ter evitado vexames, e se poderia outra maneira de ajudar o candidato de esquerda que você, infelizmente não teve nem pronunciar seu nome, terminando por fazer propaganda gratuita do candidato que você queria combater. Vamos ver na outras cidades, como se deve fazer, mas se você não me ouvir é melhor nem me procurar. Estou cansado de pregar no deserto.
quarta-feira, 3 de outubro de 2018
A Kim me ligou. Sim, cara, a Kim Kardashian, el´ enche o saco, com seu papo chato. Uma bela pessoa, mas, cara, com momentos insuportaveis. Quando puxa de um assunto não acaba nunca. E, rapaz, tem-se de lhe dar total atenção, senão vira uma jararaca. O que conversamos? tudo, moço. Ela é sem limites. de tudo fala e de todos. Simpática, pode acreditar, apesar de esparramar esnobismo para todos os lados. Quer por divina força, que volte a Paris, lhe mostrar os lugares que morei, os bares que frequentava, quer esmiuçar minha vida. Não posso lhe negar tais pedidos, não posso, porém, desvendar-lhe toda minha vida. Quem o faria? Quem não tem segredos a levar para o túmulo? Lembro da Sissel. Dizia. Um dia vão te arrancar tudo dentro de ti. Ria-me, eu, disto.
sábado, 15 de setembro de 2018
O dedo na porca
de olho na porta até estremecer dedo dedos punho punho mão mão inteira em ti nas
ruas do Julião vagidos de gozo e dor no abandono do tempo caído sobre teu
corpo por brutos violado cordas que o tempo viola aturdida fome de carne e luz espaço zaratempô seca a voz beber queremos
todos escravos grita serás ouvido na língua do mundo grande pequeno estranha rebeca diz histórias faz sonhar e correr mundo abre alas quero passar como Zé
Mancambira queria sou eu sou eu o Mancambira do mundo Horus d´Isis sou eu renascido na
noite em Paris perdido na porta do globo abandonado n´amplidão hostil
perdulário e pobre pede um sou pagar
o omelete comido na Saint-Germain com que cara se riu Gandra rio Sena, qui cena
atirei no mar o mar vazou atirei na moreninha baleei o meu amor no mato verde que sonho não vejo o
mundo acordado vai ensina o mundo e aprende kar cidade sol amon
razominorum sacode este coco moreninha não deixe o coco cair desce do
céu te quero na terra saciar a sede
matar a fome verte lágrimas irriga a
terra mãe de todos os começos joga teu laço apanha o ar derrama sobre nós
folhas caídas sob os pés silvo de vento e água trêmulo e faminto à busca
d´aconchego com frio não entende o flic sem fric onde vai dormir está rodado o
suplicio da roda chuviscos de outono vento arrastando folhas sapatos molhados
nos pés quebrados versos versus mundo estou in mundo ne ‘stou eis a questão
d´água surge a mulher a mesma semper
vestes transparentes vestais
renovados sonhos ondas do infindo de
onde vens eterna visão de noites em
criança tenra nas camas de lona e vento das noutes frias de inverno ao fogo do
longo verão desperta-me mil chocalhos de mula imaginária cavalgadura dos sonhos
de menino ensandecido por los mistérios da vida
pulula em cada canto brinca de
esconde-esconde chama ardente inapagável alimentando o pensamento viagem per
Il mondo ver é vencer é gozar mil
cores noites gozei
estreladas como um Van Gogh cantigas de roda ouvir meninas Pai Francisco
entrou na roda Teresinha de Jesus de uma queda foi ao chão que Ninguém me tribute lágrimas, nem lamente
minha morte, a caminho estou imortal
faço meu Rubicão a ti fortuna acompanho aos
fados me entrego veneno da solidão
sacode a poeira vencer é amar moço lindo cobra Norato sou eu sou eu
corre corre corre mundo já não canta aracuã no pé de juá cantar o canto triste
tarde vento quente sestroso balançando a
capoeira, derribando algarobeiras, monzês e aroeiras serenata batuque acorda Nepomuceno ensina Brasil. Eu quero ouvir, eu quero ouvir batuque. Teresinha tu hoje vai, Teresinha tu hoje vai.
quinta-feira, 16 de agosto de 2018
E como não lhe davam pedrinhas para comer
misturada à ração diária, as aves passaram a comer areia, pedaços de metal,
vidro, ossos, pedaços de ladrilho e tudo que encontravam para substituir as
pedras de que necessitavam para a trituração dos alimentos. Assim, estes
objetos se quedavam na moela, pois não
eram digeridos pelo suco gástrico e às vezes chegavam a obstruir o
intestino. As pobres aves ficavam então
tristes, penas ouriçadas, asas caídas, cambaleantes, sem fome, sem defecar ou
com diarreia e depois morriam como gado que pela seca, comia pano, papel,
papelão, borracha e plásticos. Iam ficando tristes, pesados, lentos,
preguiçosos e caíam para não mais levantar. Morto, abria-se o bucho, incrível
aonde leva a fome. Com fome, também o
homem faz coisas que ele próprio duvidaria. Como cães comem as próprias fezes,
sedentos bebem a própria urina. Nas
noites de Paris, corrido da Feijoada, corria atrás de pratos pra lavar por
comida. Enxotado por uns, acolhido por outros. Comer, inda levar para
Jussiê, envergonhado de Quixeramobim.
Filho de padre e freira. Trígamo guloso. Aventureiro, irias morrer se fosses a Florida de jangada, mesmo com rezas ao Nkisi
Tempo, Viracocha, Anubis. Tu não atravessarias o Vale. Que sorte, quantos não
morreram enterrados nos claustros. Olorum didê. Ficastes para contar.
Estou contando a história de Jussiê, com 18
anos, analfabeto e aos trinta encontrado
na Sorbonne, Universidade de Paris estudando letras e literatura francesa.
Falava-me de seus 11 irmãos, criados no
Quixeramobim, terra dos quixarás, comendo jerimum, tocando todos, algum
instrumento, que padre e freira revoltados proibiram de estudar.
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