terça-feira, 19 de novembro de 2019










                                          Oh! bendito o que semeia
                              Livros, livros a mancheia
                              E manda o povo pensar...
                              Vozes gemem na praça.
                              Gazes, Pachamama chora, 
                              Cegam seus filhos.
                              Jallalla, jallalla.
                              
                          

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

REQUIEM PARA BOLÍVIA

                                 
                                 
                                    Nós somos um só. Que um só, rapaz? Cada um é  cada um. Não dizem, cada cabeça um mundo? Como ser um só? Que você acha, Macambira? Rapaz, fica difícil. Que a gente se parece muito, parece. Eu conheço meio mundo de meu Deus e vejo muita gente parecida. Se parece o corpo, há-de de ter quem tem alma parecida com outra. Mas é doido, mesmo. Quem tá falando de alma aqui? E não? você não disse, cada cabeça um mundo? Isto não é alma. Alma, burro, mente, cabeça, tudo a mesma coisa. Mas, que doidura vocês estão falando aí? José de Nazaré, chegando,  com sua fama de homem mais sabido de Capela do Alto Alegre, Rosalina Gomes, de João Teiú, de Maria Cagona, de Tenente, de Zé Canário, de Zé Mancambira, Tico doido e outros bichos não menos famosos, que se se for nomear  tem de escrever um livro. Quando ele falava, diziam, os outros abaixavam o rabo. Nós tá falano aqui do gorpe na Boliva, gritou Zé Pretim. Sai, do meio, Zé Pretim que ainda falta muito pra gente. Pois os caras não derrubaram o Evo? Quem? O Evo Morales, presidente da Bolívia. Ah, foi, disse Zé de Nazaré, caneta, que não era azul,  n´orelha, cofiando o bigode. Camacho rima com capacho, fala de um mais exaltado. Vejo, revejo-o. Juntos montando a bicicleta do Les Cracks, o filme de Joffé. Rindo de Bourvil, seu nariz, também  discriminado por seu nariz aymará. Como imaginar, tarde no tempo, o aimará ser atacado, pelo nariz, sua identidade. Plástica, modificar o ancestral nariz. Assim é o vencedor, ataca o que mais nos identifica.

quinta-feira, 7 de novembro de 2019







                               Alfurja é o mundo. O meu, carrego num alforje. Alferes, levo a bandeira da paz. Em tranquilidade, quero degustar meu alfajor. Ouvir, do vendedor, no calor da tarde, o pregão do alfenim. Olha o alfenim, mininin, vem comprar, vem comprar o alfenim. Ver passar garboso o alarife, alfanje à cinta, cavalgando o alfaraz em seu caminho  para a oficina. 

terça-feira, 5 de novembro de 2019

GLOBO CONTRA BOLSONARO?














     

                                       Horus tem estado macambúzio. Seus personagens estão em constante desavenças. Brigam pelo momento que passam hoje. Uns apoiam Messias, outros o desapoiam. Na briga entre ele, Messias, e Globo, há até quem torça pelos dois. Argumentam. O assistencialismo adormece, Messias desadormece.   Desaprovo o homem, mas aprovo a política. Nos levam à revolução, diz um. Por isso,  não se o combate totalmente, diz outro. A lei Rouanet, desviada de seu objetivo, incentivar os novos artistas. Na briga entre Globo e Messias, torço pelos dois. Num duelo, os tiros podem sair ao mesmo tempo, e, morrerem ambos. Palavras, doutro.

quarta-feira, 30 de outubro de 2019

CANETA AZUL, AZUL CANETA





                                              Vamos  pressionar Deus Carmo para chamar Manoel Gomes pro nosso lado. O povo unido, jamais será vencido. Como gosta de um jargão, o Zé Povinho, pensou, Didi, mas, caluda,  não se indispor com os outros. Precisa ver quem está com a gente. Não me ponham neste bolo, eu fico neutro. Epa, epa, saia desta cara, quem é neutro sempre está lado mais forte. Você tem de se definir. Eu não quero me decidir. Então saiba que é nosso inimigo. Qual é a briga aqui? Exigir do autor a publicação da caneta azul. Queremos o Manoel Gomes como colega, personagem do romance. Mas que tem a ver este romance com uma simples caneta azul, amarela ou vermelha?  Rapaz, ele pode ser até sobre a noite em Paris, mas no dia ele tem de ser brasileiro, de norte a sul, e, qualquer de nós pode ser personagem. É preciso que os autores saibam que os personagens também mandam, e, por vezes, dirigem, queiram ou não, a ação, o enredo. Eles roubam a cena e o autor se torna um simples escravo. Vamos aproveitar enquanto uns bestas estão preocupados o Evo da Bolívia, a gente faz aqui nossa peleja. Voz aos danados, aos esquecidos, aos jogados nos musseques.

                                Você não acha que está sendo preconceituoso, Umberto? Como, Didi, você acha mesmo que eu, nós temos de elogiar a burrice? Igualar todos a todos? Então que adiantou levar anos perdendo tempo com a cara nos livros? Pegar doenças crônicas com documentos velhos? Adoecer pelo resto da vida, manuseando múmias e fósseis? Rapaz, não é disto que eu estou falando, falo de quem grita sem ser ouvido, de quem sequer se ouve os gemidos. Sim. E eu falo justamente destes que não se ouviam e hoje têm voz, mais do que nós, porque, enquanto falamos para poucos, eles falam para toda humanidade e logo nos sufocarão, porque são muitos.

sexta-feira, 25 de outubro de 2019

MC GUI
















                                            Tá todo mundo chateado porque,  até agora, não havia falado nada do MC Gui. Como falar de tudo o que acontece neste mundo de meu Deus? Mondo cane, mundo imundo. Costinha Jururu, cuja língua, quando morrer, terá de ir em outro caixão, foi o primeiro a reclamar. Como tu deixa o cara zoar da menina? Câncer, acredita ele, ser imortal? Zé Manoel, que matava a contra-gosto, negros n´Angola: "Se encontrar este gajo, juro que lhe arranco a língua e o boné, nunca mais ele vai inticar uma criatura". Nem ligue, Gui, Zé Manoel, depois que veio d´África, não mata nem barata? Mandam-nos a matar àqueles gajos que nunca vimos, nem mal algum nos fez, gente que, se não fossem as balas, poderia até nos abraçar. Quem ficou curiosa foi Nanã, queria a todo custo que se dissesse quem era este tal de Guigui, que não ouvira falar. Foi um trabalho para explicar que o nome do cara não era Guigui, mas, Mc Gui. Que pobre é que tem apelido assim, Guigui, Didi, Titi. Hoje, rico, ou quem se acha rico tem apelidos estrangeiros. Hoje, Antonio não é mais Tõe e muito menos, Totõe, agora é Tony. Ai de quem chamar um Pedro de Piroca. Palavrão dos grandes. Outro dia cheguei em Capela e disse que queria ver D. Rola e quase apanhei. Não que ela era hoje, respeitosamente chamada de Dona Senhorinha. 





                        
                               
                                      

quarta-feira, 23 de outubro de 2019

MENINOS, EU VI















                             Meninos, eu vi. Na catinga e favelas,  guerreiros  errantes, outrora pujantes do povo tupi, meninos eu vi. 
                                            
                            No meio das tabas de amenos verdores
                            Cercadas de troncos - cobertos de flores
                               Alteiam-se os tetos d´altiva nação;
                            São muitos seus filhos, nos ânimos fortes,
                            Temíveis na guerra, que em densas coortes,
                           Assombram das  m matas a imensa extensão.
                           
                           Meninos, eu vi, Manoel Gomes surgir.
                          Meninos, eu vi, em terras d´Arariboia, 
                          Vi guajarara sumir, é Paulino Guajarara.
                          Que o branco tirou daqui.